Criaturas da Noite: Dicas para narrar ambientações de suspense e terror

Horror, terror, suspense e mistérios sempre acompanharam a humanidade desde os primórdios da civilização. Algumas histórias eram contadas para colocar medo e evitar que as crianças fossem até lugares perigosos e outras lendas eram contadas para novas gerações de guerreiros para que aprendessem alguma lição. Dizem que toda lenda é baseada em um fato, mas algumas podem ser um sonho relatado como alguns acreditam que sejam as obras de H.P. Lovecraft.

Cenários de RPG que exigem ambientações mais densas como Chamado de Cthulhu e Mundo das Trevas precisam de um tipo de preparação diferente do que a preparação de mesas para cenários mais leves como Dungeons & Dragons. Levando isso em consideração, eu separei algumas dicas de como ambientar suspense e terror para cenários realistas. Então, sem mais delongas, vamos nessa que vai ser bom à beça.

Converse com seus jogadores

Isso é válido para qualquer mesa de RPG que estiver em fase de preparação e para mesas que envolvem situações extremas, uma conversa franca para alinhar expectativas a fim de saber como abordar assuntos que podem, ou não, ser considerados polêmicos para o grupo, é de extrema importância para que as sessões de RPG sejam divertidas para todos.

É possível definir o número de sessões da campanha, as histórias dos personagens, como eles agem entre si e o que é que fez com que o grupo se reunisse além de definir o começo da história que todos ajudarão a construir. Uma vez que a conversa sobre o jogo está devidamente alinhada, é preciso se aprofundar em coisas pessoais para que os jogadores não se sintam desconfortáveis durante a narrativa.

Saiba quais são as limitações dos jogadores

Todas as pessoas sabem quais são os seus limites e o que as deixam bem ou mal. Seja medo, pavor, repulsa ou qualquer coisa que cause uma reação negativa a nível pessoal para os jogadores deve ser conversado para que se saiba qual é o limite da abordagem adotada. Independente de qual foi o motivo ou a situação de jogo que gerar desconforto a pessoa que estiver na mesa de jogos, isso deve ser conversado para que problemas futuros não aconteçam.

Eu, como narrador, sempre converso com cada jogador individualmente para saber o que posso ou não abordar em uma história, seja ela a nível pessoal de desenvolvimento de personagem ou a nível de campanha para o grupo todo. Alguns grupos aceitam qualquer limite e outros possuem mais limitações e é necessário jogar de acordo com o grupo e jamais impor alguma situação. Um jogo de RPG deve ser bom para todo o grupo e todos devem se sentir confortáveis para explorar o desenvolvimento de seus personagens.

Entenda a estrutura de uma crônica

Para desenvolver uma história de horror em mesas de RPG, o texto narrativo que melhor de enquadra é a crônica. Por ser uma narrativa curta, direta e que pode deixar coisas em aberto, compreender sua estrutura para desenvolver a história pode ser uma mão na roda para ter mais agilidade durante as sessões e também durante a preparação da mesa.

Tudo o que você precisa definir são cinco itens para desenvolver a história que será contada para o seus jogadores.

  1. Enredo: definir qual será o assunto abordado dentro da crônica. Ainda que seja horror, terror, suspense e mistério, qual será a mensagem que você pretende passar aos jogadores.
  2. Personagens: por ser uma mesa de RPG, parte dos personagens são os jogadores e os demais personagens, sejam da história dos jogadores ou seus NPC’s, também devem estar nesta lista.
  3. Tempo: saber em qual época a história se passa pode auxiliar os jogadores a desenvolverem melhor suas histórias além de definir traços de personalidade de acordo com o período histórico no qual o personagem nasceu e foi criado.
  4. Espaço: o local onde a história acontece pode ser algum lugar que você criou ou alguma cidade do mundo real segundo a sua visão. Nada impede de usar uma cidade que já exista em nosso planeta e usar a situação atual dela. Muitas pessoas criam crônicas sobre a cidade nas quais nasceram.
  5. Narrador: sim, você precisa definir se narrará em primeira ou em terceira pessoa porque isso pode definir o quão próximo você está dos personagens. Uma forma interessante é intercalar a primeira e a terceira pessoa durante a narração para deixar os jogadores cientes de quando um personagem está falando e quando você está descrevendo alguma coisa.

Agora que você tem um resumo de como é estruturada uma crônica, você pode desenvolver a sua forma de criar uma narrativa para sua mesa de RPG e, para te dar uma força, eu vou descrever como eu preparo as minhas sessões para cenários densos.

Prepare uma sessão objetiva

Tudo o que você vai precisar é de uma introdução, um conflito, um clímax e uma conclusão. A maioria das histórias possuem altos e baixos e isso não pode ser diferente em uma mesa de RPG. Por este motivo, você pode estruturar sua mesa com estes quatro tópicos descrevendo parágrafos simples para poder improvisar durante a narração. Vamos a um exemplo:

  • Introdução: Tânia do clã Brujah entrou em contato com o grupo pedindo ajuda para recuperar um carniçal chamado Igor que foi capturado por Caçadores da Inquisição. Ela quer encontrar o grupo em seu refúgio para entregar mais detalhes sobre o assunto.
  • Conflito: O grupo deve encontrar o cativeiro de Igor e resgatá-lo em quatro noites a partir da noite da reunião. Caso contrário, os inquisidores matarão Igor após interrogá-lo.
  • Clímax: Uma vez encontrado o cativeiro, o grupo deverá localizar a cela, retirar o carniçal sem revelar sua natureza sobrenatural, ou seja, não deve haver quebra de máscara.
  • Conclusão:
    • O grupo não encontra o cativeiro no tempo estipulado: Igor é interrogado, morto e abandonado como indigente pela Inquisição e o grupo terá uma dívida com o contratante.
    • O grupo não salva Igor:
      • Caso Igor tenha sido interrogado, todos os aquivos do interrogatório devem ser destruídos assim como os assassinos do carniçal. Tânia sofre pela perda, mas entrega a recompensa do grupo.
      • Caso o carniçal não tenha sido interrogado, o grupo deve levar o cadáver ao refúgio de Tânia o mais rápido possível e da maneira mais eficiente sem causar nenhuma quebra de máscara.
    • O grupo salva o carniçal: Tânia entrega a recompensa do grupo, garante que Igor ficará bem e se oferece para ajudar cada membro do grupo com um de seus objetivos pessoais.

Este exemplo pode ser usado para que você desenvolva sua primeira mesa em um cenário que envolva este tipo de situação e, usando a sua criatividade, você pode expandir ainda mais o seu mundo.

Deixe algumas pontas soltas

Pontas soltas podem acontecer durante a sessão ou em narrações de cenas no começo ou ao fim da sessão de RPG. Estas cenas podem deixar em aberto o começo de uma próxima crônica ou algo misterioso sobre algum personagem que já apareceu ou que ainda será introduzido em sua narrativa. Este recurso pode criar boas expectativas para os jogadores que saberão que há muito mais para explorar na história, seja com os personagens atuais ou com personagens novos.

Uma boa maneira de deixar pontas soltas também, é deixar algo mal resolvido. Uma sala que não pode ser destrancada, barulhos que não foram identificados, uma fala de uma pessoa que está perseguindo o grupo que acabou de fugir. Qualquer coisa que deixe uma abertura para novas histórias podem ser utilizadas desde que você respeite as limitações dos seus jogadores.

Histórias que envolvem seres sobrenaturais que causam medo e terror às pessoas são muito divertidas. No entanto, para jogar mesas de RPG com temas mais densos, é necessário ter maturidade para não abusar dos limites do personagem e levar as coisas a nível pessoal como jogador. Além disso, os limites de cada pessoa que estiver na sessão de jogo devem ser estritamente respeitados para que ninguém fique desconfortável. Seja qual for o sistema, o cenário e as interações entre os jogadores e personagens, o objetivo do RPG é ser divertido para o grupo.

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