O Julgamento da Névoa Rubra – Inférnia

“O Reino Argênteo de Lumius me absolveu de meus crimes graças a coalizão de guildas que estava trabalhando a favor da justiça. Os Aniquiladores da Névoa Rubra, como ficaram conhecidos Noora, Maise, Mikkel, Mavin e Sophie, entregaram provas de que eu havia sido possuída pelo antigo Dragão Vermelho Ancião, o Primeiro Necromante e Dracolich Sombrio Krivoc de Bahxis. Eu gostaria de agradecê-los, mas preciso passar por mais quatro capitais e a próxima é o local de maior profanação de Krivoc: Inférnia.”

“A Trindade Gerontocrática das Terras Minguantes é conhecida por tomar decisões unânime apenas quando as três mentes dos Anciões entram em acordo sobre o assunto que está sendo discutido. Talvez este seja um julgamento silencioso tendo em vista que não são humanos que regem as leis por lá. O sangue corrupto de Krivoc ainda está impregnado tanto na cidade quanto em uma das famílias nobres que a população chama orgulhosamente de Castas Infernais. Apesar de ser uma pena o que aconteceu com a antiga Celéstia quando eu ainda era criança, fico imaginando quanto poder o Bruxo Necrossangue conseguiu com o seu feito.”

Alguns dias depois do julgamento em Lumius, Elloran foi escoltada até Inférnia em uma caravana com ornamentos nobres como se fosse uma das casas nobres de Lumius que acompanhariam o Torneio das Oito Castas na Arena de Ramael. A elfa estava na carruagem principal enquanto sua escolta era feita por Cavaleiros Arcanos e Paladinos. Alron e Letriel disseram que esperariam sua irmã na capital das Terras Minguantes, mas apenas Alron estaria no julgamento porque Letriel tinha interesse em participar do torneio.

– Elloran… Elloran! Você divagou de novo. O que foi desta vez?

– Perdão, Sara… Eu não estou acostumada com ambientes tão estranhos como esta carruagem. Em Ael’Fellor nós usamos teleporte para movimentações longas ou pedimos auxílio dos Elementais para nos guiar. Estou preocupada porque Inférnia não é como as demais capitais.

– Você não precisa se preocupar com Inférnia. Fragor foi quem mais sofreu com as investidas de Krivoc e é a capital que ainda lida com resquícios da Guerra das Feras. Se você for honesta, os Anciões poderão te absolver.

– Obrigada, Sara… você é sempre tão boa comigo…

– Você me manteve viva depois do meu encontro com o que eu achei que seria a minha morte. Agora, além dos Dragões Negros, preciso prestar contas à Noite Eterna. Eu sempre estarei contigo.

“Eu havia me esquecido de quão generosa Sara é capaz de ser quando se importa com alguém. Depois de Tyler tê-la resgatado de um grupo de sequestradores, um Cristal de Mana explodiu e a deixou inconsciente em uma ilha ao sul da Fortaleza de Yrius. Um vampiro descontrolado se aproximou e a matou com o que eles chamam de beijo. Sara acordou sem saber o que era e até hoje eu sou uma das poucas pessoas que sabem de sua natureza vampírica e que não foram abraçadas por ela. Como será que Arthur está lidando com isso depois do Anel da Lua que eu fiz para ele alguns meses atrás?”

O calor do deserto se intensificava. O cheiro de cinzas e de enxofre se fazia presente a cada sacolejo da carruagem no terreno forrado por pedras vulcânicas. A Névoa Rubra havia chego em Inférnia. Os guardas com suas amaduras de metal escuro com ornamentos que variavam entre o vermelho e o laranja verificaram a caravana e indicaram o caminho para os condutores até o Zigurate da Tríade, a sede de governo das Terras Minguantes.

Diferente do que aconteceu em Lumius, local no qual Elloran ficou sob custódia da guarda da monarquia, a maga foi levada ao topo do Zigurate da Tríade para aguardar seu julgamento. No caminho até o pináculo da estrutura de obsidiana, os Tieflings se exaltaram e arremessaram pedras e frutas em Elloran. Os mais agressivos arremessaram adagas e alguns conseguiram cortar algumas partes de suas vestes e causar ferimentos leves em seu rosto. Em resposta, a Armada Macabra, guarda de elite de Inférnia, controlou a situação afastando as pessoas de Elloran que, em alguns minutos, estaria diante de seu segundo julgamento.

A sala da Tríade no topo do zigurate possui três tronos que representam as três principais forças das Terras Minguantes: o militarismo representado pelo General Ancião, o arcanismo representado pelo Conjurador Ancião e a religião representada pela Suma Sacerdotisa Anciã. Ao ser escoltada até o local no qual aguardaria a chegada dos Anciões, Elloran aguardou em silêncio e, pelo seu conhecimento arcano, ela sabia que a noção de tempo daquele ambiente era relativa.

As runas dos tronos ascenderam e o cheiro de enxofre quase fez com que Elloran desmaiasse. Os Anciões de Inférnia haviam chego e em uníssono falaram algo que fez com que a réu estremecesse.

– Elloran das Ilhas de Naylo do Arquepélago de Ael’Fellor. Você possui as essências de Ilusão e de Encantamento, mas a Necromancia a possuiu e ainda vive dentro de você. Todo o conhecimento adquirido como Arauto de Krivoc pode ser útil para que ele caia definitivamente. Libere acesso à sua mente ou acessá-la-emos à força. Reconhecemos seu poder arcano, mas você não é páreo para nós.

Elloran já teve seu corpo possuído por Krivoc e ele sabe tudo o que ela sabe e ela ainda sente a presença dele. Então, para evitar uma situação desagradável, a maga disse sem medo das consequências porque ela sabia que não tinha nada mais a perder além da própria vida.

– Krivoc levantará o próximo Arauto no mesmo local do sacrifício de Dahaka Necrossangue. Ele já profanou Lumius e Inférnia é seu próximo alvo. Minha essência está fragmentada e temo pela minha segurança. Voloco meus conhecimentos à disposição das Capitais Lunares porque não desejo tirar vidas se a minha vida não estiver em risco.

Silêncio. Os anciões começaram a deliberar sobre. Depois de algum tempo, o uníssono retornou com o veredito.

– Escreva para nós o que sabe em um grimório e entregue ao Conjurador Ancião Eros Salleck. Em seguida, você será escoltada pela Armada Macabra até a Coalizão dos Pequenos Homens de Fragor.

Elloran fez uma reverência antes de deixar o zigurate e foi levada até uma sala na qual um tinteiro e um grimório foram deixados. Faziam semanas que ela não escrevia e a saudade de fazer pesquisas, desvendar os mistérios da magia e manipular essência começou a ser sanada. Então ela começou a anotar tudo o que sabia sobre a Cólera e sobre como ela seria a porta para a Miséria. Ao terminar de escrever após algumas horas, ela foi teleportada para uma torre em meio a um rio de lava.

– Elloran, eu sou o Conjurador Ancião Eros Salleck. Entregue-me o grimório e estará absolvida de seus crimes em Inférnia além de ter a permissão de continuar seus estudos em nossa Academia de Artes Arcanas sob a tutela da Mestra Encantadora Zavine.

– E o que é que vocês vão ganhar com o conhecimento que está neste objeto que eu, simplesmente, posso jogar na lava e perder a minha vida no processo? – indagou Elloran.

– Nós podemos dar um fim a Krivoc, impedir a manifestação dos próximos Arautos e aumentar o poder e a influência de Inférnia eliminando toda a linhagem dos Necrossangue da existência. – respondeu Eros sem hesitação.

– Eu não vou dar isto para você sem ganhar algo que realmente pode me ajudar nos demais julgamentos, Eros. Afinal, você não é o único que vai se beneficiar com o que eu sei sobre o Dracolich e sobre os outros Arautos.

O Conjurador Ancião manteve o que sobrou de sua compostura a fim de conseguir o que realmente queria, então fez uma proposta irrecusável à Elloran.

– Maga, eu sei onde encontrar os Artefatos de Norian e posso guiá-la até a fonte de conhecimento da Primeira Arquimaga. Como prova de minha boa vontade, aqui está o mapa com a localização dos artefatos no norte de Ael’Fellor. Acho que agora nós temos um bom acordo.

Elloran assentiu com a cabeça, pegou o pergaminho com o mapa e entregou o grimório ao conjurador. Então ela começou a ser teleportada e apareceu em uma masmorra quente, mas não antes de ouvir o riso sarcástico e debochado de Eros.

“Eu sei que posso ter condenado ainda mais o continente ao entregar tudo aquilo para Eros. Todavia, eu suponho que os Artefatos de Norian serão úteis uma vez que ela teve domínio sobre todas as essências de magia arcana e divina. Espero que isto seja o bastante para começar. Sei que no caminho eu vou passar pelo meu antigo assentamento no Forte de Norian onde conheci um guerreiro de Jinlong que estava com seus equipamentos danificados. Espero que Alron me perdoe por não encontrá-lo e que Letriel sobreviva à Arena de Ramael durante o torneio.”

“Acho que a Armada Macabra está se aproximando. Eu não tenho muito o que fazer agora a não ser esperar pelo próximo julgamento em Fragor. Anões, Gnomos e Pequeninos prontos para me oferecer armamento, comida e conhecimento arcano se, e apenas se, eu conseguir provar que sou realmente uma vítima.”

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