Façam suas apostas!

Nobres de todas as capitais de Aylin chegaram em Inférnia. Após semanas de preparação dos organizadores do Torneio das Oito Castas e de treinamento de cada um dos participantes, a ansiedade de todos está cada vez maior por motivos pessoais. Alguns torcem para que seus campeões vençam o torneio, outros querem saber quais heróis podem se tornar cavaleiros de seus domínios ou mercenários para sujarem as mãos em seu lugar. Aqueles mais gananciosos estão em busca das premiações do torneio e os que confiam na sorte estão dispostos a dar o que for preciso para ganhar muito dinheiro com apostas.

Sabendo que a quantidade de ricos na cidade aumentou consideravelmente por causa do torneio na Arena de Ramael, aqueles que vivem no submundo da cidade decidiram tirar muito proveito dos tolos que caminham pela cidade. Dentre eles está o cara que nunca revela o seu verdadeiro nome e que todo mundo conhece seja por dever um favor ou por ter algo para cobrar dele. Caminhando entre a multidão de caravanas e seguindo para o Lábio Infernal, Carniça segue confiante e bastante atento aos arredores.

Suas roupas feitas de linho e couro, sua adaga cerimonial adornada e encantada para que tenha veneno constantemente e seu conjunto de dados viciados apenas complementam sua natureza escusa, soturna, sombria e enganadora assim como a de qualquer charlatão da Capital Lunar das Terras Minguantes. Ele caminha em direção a entrada da taverna de Bel e a procura em busca de um jogo amistoso entre amigos.

– Belzinha, minha linda! Já faz um tempo que eu não te vejo. Você está tão bonita hoje que até mesmo eu cometeria os Pecados da Luxúria no dia errado.

– Carniça, meu querido, eu sempre estou no auge de minha aparência física e não há nada que ninguém seja capaz de fazer para mudar isso. Então, diga logo o que é que você quer porque eu não tenho tempo para perder com um patife que vive de apostas. – disse Bel com rispidez.

– Disse a mulher que tem o maior bordel em duas capitais. – retrucou Carniça. – Certo, eu vou ser direto com você: tem muita gente rica por aqui e eu acho que nós dois podemos reviver os velhos tempos.

– Eu nunca tive velhos tempos com você, patife! Agora vá embora porque eu tenho negócios para resolver por aqui.

Carniça então saca sua adaga, corta a ponta de seu dedo e começa a conjurar um encantamento que transporta ele e Bel para um local conhecido por ela. Fazia muito tempo que Bel não entrava em uma sala de reuniões como aquela. No ambiente há diversos pergaminhos muito bem organizados em prateleiras preta feitas de pura energia profana e negativa. No centro do salão uma mesa de madeira surge e duas cadeiras extremamente confortáveis também se materializam. Então a mulher de beleza sobrenatural percebe qual é o onde está: Os Salões do Zênite, o ponto de equilíbrio entre os planos positivos e negativos nos quais pactos são realizados com mortais.

– Você reconhece este lugar, Belzinha. Um dia eu já estive do lado do bruxo e agora eu sou o patrono. Como isso é possível? É simples! Eu consumi toda a essência de meu antigo patrono e agora que sou tão poderoso quanto qualquer patriarca ou matriarca de nossa gloriosa cidade!

– Como você fez isso, Carniça? Não é possível consumir um patrono e permanecer no Zênite. O que você teve que fazer para poder caminhar entre os planos?

– Nada demais. Tudo o que eu fiz foi apostar a favor do tempo. Celestiais vivem muito porque o tempo para eles é inexistente assim como os Diabos e Demônios, assim como é para você. Eu queria ser completo e não meio alguma coisa como todos os seres de Inférnia. Para que ser um meio demônio se eu posso ser um patrono assim como Dahaka Necrossangue?

Bel, incrédula com a audácia de Carniça, se lembrou de quem era Dahaka e do que ele era capaz de fazer durante a Guerra das Feras. O paradeiro do Primeiro Ancestral Necrossangue é desconhecido e ninguém sabe dizer se ele está vivo ou morto. No entanto, se Carniça sabe sobre Dahaka, uma aposta não serial algo tão ruim.

– O torneio começará hoje quando o sol estiver em seu ápice e eu acredito que podemos negociar, já que você foi capaz de consumir o seu patrono desconhecido. O que garante que você realmente consumiu uma entidade que lhe concedeu poderes capazes de fazer pactos que drenam a sua força? – questionou Bel com desdém.

– As almas negociadas sempre vão me garantir ainda mais poder assim como a energia vital das vítimas que vão para aquilo que você chama de quarto ou de “prisão”, Bel. – respondeu Carniça bastante confiante.

– Acho que podemos fazer um ganha-ganha durante o torneio, Bel. – disse Carniça enquanto materializava um pergaminho e um tinteiro com sangue. – Eu consumo as almas dos perdedores do torneio e você drena a vida dos vencedores com um único objetivo: aniquilar Klaus Hellingson após o torneio e apagar a Grã-Senhora Miranda Necrossangue que, segundo rumores, é o segundo dos quatro Arautos de Krivoc. Então, nós temos um acordo?

Bel pensou por algum tempo ainda que em meio ao Zênite fosse irrelevante. Ela poderia ter consigo a força das criaturas mais poderosas de Aylin em suas mãos e, no melhor dos casos, as essências dos três Anciões de Inférnia.

– Eu acredito que me parece um bom negócio, meu charlatão favorito. Nós temos um acordo!

Enquanto a corruptora assinava o pergaminho do pacto, o autointitulado patrono sorri indiscretamente porque conquistou a alma de um corruptor. Ao terminar de assinar, Bel olhou para Carniça e seus olhos brilhavam como um eclipse solar enquanto runas prateadas surgiam em seu corpo. Logo esta aura desapareceu e ela falou.

– Nós temos um acordo. O que você não sabe é que eu não sou uma corruptora qualquer. Eu vou cumprir com a minha parte, mas eu jamais serei dominada por outro bruxo novamente, charlatão imundo.

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