Simples e Funcional: 5 conceitos de personagens para começo de aventura de RPG

Eu costumo escrever muitas coisas para RPG sobre cenários, narração e construção de personagens, mas eu escrevi muito pouco sobre conceitos gerais. Levando isso em consideração eu comecei a me perguntar o seguinte: o que eu posso fazer para inspirar novos jogadores de RPG para que eles criem seus primeiros personagens?

Depois de algumas horas pensando sobre o assunto e relembrando das primeiras mesas que eu joguei, eu me lembrei de alguns conceitos clássicos de personagens de RPG que sempre funcionam tanto para jogadores experientes quanto para iniciantes. Por esses motivos eu listei cinco conceitos de personagens para começar novas aventuras de RPG ignorando qualquer regra mecânica e com foco na história do personagem. Então, sem mais delongas, vamos nessa que vai ser bom à beça!

Defensor Incorruptível

Personagens que defendem algo, alguém ou alguma coisa costumam ser excelentes para jogadores iniciantes, mas é uma lâmina de dois gumes. Existe uma grande chance do personagem se tornar um fanático por aquilo que ele defende a qualquer custo e, por outro lado, o personagem pode descobrir que defende algo que não é tão bom quanto ele ou ela acreditava que era. Um arco de desilusão é interessante.

Vamos imaginar um personagem que luta por uma família nobre de um reino governado por dragões. Então o personagem é enviado em missão para recuperar algo que foi roubado de seu senhor e o grupo de ladrões alega que o nobre dragão é o responsável pela miséria de um vilarejo porque cobra altos impostos, leva para seus celeiros boa parte do plantio e isto acaba matando de fome os moradores do vilarejo que está sob a jurisdição do nobre.

Por fim, entra a questão pessoal do personagem: ele cumprirá seu voto de lealdade a família que jurou proteger seus servos e vassalos ou lutará contra seus senhores para garantir o que é de direito do povo pelos meios que considerar necessários?

Arauto dos Deuses

É bastante comum que um mundo de fantasia existam deuses ou qualquer tipo de entidade que é adorada pelos mortais. Um destes mortais pode ser um devoto em peregrinação que caminha pelo mundo auxiliando pessoas em busca de algo que lhe foi prometido por sua divindade. Dado o início de sua jornada, o acólito pode ver com os seus próprios olhos o mundo que os deuses permitem que exista.

A realidade fora das estruturas colossais de um clero é muito diferente da vida que os membros da organização religiosa acreditam que é. As pessoas buscam acreditar em algo e muitas delas recorrem aos deuses que dizem possuir domínios sobre elementos abstratos da realidade mortal como a sorte, o conhecimento e a justiça. Ainda assim, muitos perecem por coisas banais e outros vivem nos limites de sobrevivência. Esta seria a verdadeira vontade dos deuses?

Uma jornada de provação e peregrinação de um personagem que acredita que os deuses fazem o melhor pela vida mortal é o suficiente para que ele veja o mundo como ele é. Em meio a corrupção, a miséria e muitos conflitos, os primeiros questionamentos aparecerão. A fé deve ser mantida nos deuses ou as divindades deve ser questionadas e destronadas por alguém digno de um posto divino?

Caçador de Monstros | Recompensas

Grupos de Mercenários, Ordens de Assassinos, Conclaves de Caçadores, Infantarias de Paladinos. Organizações que reúnem pessoas com objetivos em comum podem receber os mais diversos tipos de pessoas e aceitar uma diversidade de trabalhos. Um dos membros pode ser designado para uma missão que envolve explorar ruínas nas quais uma pequena horda aberrante se organizou em nome de um mal maior.

O personagem é enviado em missão e precisa trazer uma prova de que ela foi cumprida para que receba sua recompensa. Se houverem monstros, coletar partes importantes para que conjuradores utilizem como componentes para magias pode garantir uma quantidade considerável de dinheiro. Caso hajam outros caçadores, inimigos ou rivais, informações e suprimentos serão recursos úteis. Talvez a pior coisa seria descobrir o que causou a aparição das aberrações.

Algum membro renegado da guilda está em busca de vingança? Talvez alguém queira realizar um ritual maligno de invocação. Dependendo de qual foi a última caça, o personagem pode ter sido enviado para uma armadilha e algumas questões surgem: quem faria algo assim contra o personagem e por que alguém traria aberrações por vontade própria?

Assassino Charlatão

O papel deste personagem é muito simples: cada contrato um alvo, cada alvo uma morte, cada morte mais dinheiro. Matar apenas por matar não torna um personagem mais interessante, mas os métodos dele até chegar às vias de fato são o que fazem com que ele seja único. Alguns vão apenas se infiltrar, outros vão se disfarçar e ainda outros podem fazer ambos e incriminar outras pessoas.

Suponhamos que o personagem foi enviado para eliminar um nobre influente que vai dar uma festa em sua mansão. Dança, comida e bebida além do fato de ser um baile de máscaras. Um disfarce de convidado ou de servo pode ser bastante útil porque portar um brasão nobre pode ser muito abuso, mas nada que um bom charlatão audacioso não seja capaz de fazer. O anfitrião aparece e ele é um grande beberrão. Colocar algo na bebida pode ser mais do que o necessário para retirá-lo do grande público.

Uma vez isolado, o nobre pode ser pressionado a confessar e a dizer as suas últimas palavras, mas não antes de indicar onde se encontra um pergaminho com informações sobre o que ele realmente tramava. Com as últimas palavras do nobre e as informações sobre o que ele estava fazendo o que você faz? Lutará para defender o que o legado do nobre ou cumprirá o seu contrato por que foi acordado com seu contratante?

Aprendiz Entusiasmado

Dizem o que o mago é implacável, mas ele não é nada sem uma boa fonte de conhecimento. Bibliotecas não são o bastante para os verdadeiros estudiosos de um mundo mágico. Saber como e quando utilizar as suas magias é algo que torna um conjurador uma peça chave. No entanto, até onde a busca por conhecimento pode levar uma mente curiosa e com sede de poder?

Uma promessa feita deve ser uma promessa cumprida. O mestre do aprendiz pede para que ele vá até a fronteira dos domínios feéricos em busca de um componente mágico para um ritual e alerta para que seu estudante tenha cuidado por causa de alguns monstros que existem na região além de assaltantes de estrada e animais selvagens. Animado com a ideia de uma aventura, o aprendiz parte em sua missão e, no caminho, uma energia mágica se manifesta.

Um eco de um mago alerta o jovem aprendiz que as terras feéricas estão perecendo por escassez de mana. O eco também alerta que isto está ocorrendo porque alguém não está manipulando a magia, mas absorvendo-a para o seu próprio poder. Ao refletir sobre, o aprendiz que estava animado fica apreensivo, coleta o componente arcano e volta até o eco questionando se ele poderia ser seu novo mestre. O eco aceita e o aprendiz começa a se questionar: como eu poderei impedir o ritual de meu antigo mestre e o que aconteceria se eu terminasse o ritual para absorver o poder para mim?

Quando você começa a jogar RPG você não precisa de um personagem muito complexo. Uma ideia simples para um personagem é a base. Um mago que quer encontrar um livro, um paladino vingador, uma caçadora em busca de um monstro, um druida que quer reestabelecer o equilíbrio entre a magia e a natureza. Seja qual for o conceito do seu personagem, eu creio que quanto mais simples ele for no início, muito mais ele poderá se desenvolver com o avanço da história. Quanto mais simples for o seu personagem, muito mais funcional ele será ao ponto de tornar-se épico.

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