O que fazer com o passado?

A história do mundo é contata por aqueles que conquistam grandes coisas. A história da humanidade é cheia de eventos grandiosos. A história das pessoas é cheia de altos e baixos. O que move a história do mundo são as pessoas que fazem parte dela. O que vivemos hoje é consequência de decisões tomadas antes mesmo de nascermos neste mundo e isso é algo que não podemos mudar. Precisamos lidar diariamente com o futuro que as pessoas que viveram no passado construíram para o nosso presente.

Quando se trata de passado, cada ser humano deste mundo precisa lidar com o seu de alguma maneira. Aceitação é a melhor forma porque você não vai voltar a ser o que já foi um dia e a ideia é aprender e melhorar como pessoa todos os dias da sua vida. Claro que é difícil manter a própria humanidade em tempos caóticos, mas se você conseguir colocar a sua cabeça no lugar em relação ao que você já fez ou passou na vida, mais tranquila será a sua rotina. Já parou para pensar no que te trouxe até este momento? Eu já.

O meu passado é uma montanha-russa. Eu já vi muita coisa, já sofri mais do que o necessário, tenho medos de coisas que naturalmente não fariam sentido. O futuro que nossos antepassados construíram para nós é doentio e isso não é por causa de como o capitalismo funciona nem mesmo é um manifesto comunista. Isso é sobre cuidados mentais que não aconteceram.

No passado não muito distante, nossos pais e avós consideravam depressão e qualquer outra doença mental como frescura ou besteira. Isso construiu uma sociedade emocionalmente doente e, em muitos casos, grupos de pessoas imaturas e que não conseguem lidar com rejeição, com negativas e com qualquer outra coisa que vá contra aquilo que eles querem. Em meio a isso, o que precisamos fazer hoje é reparar o erro deles fazendo o que eles não fizeram: procurar ajuda profissional.

Cicatrizes emocionais, traumas, fobias, inseguranças, luto. Cada pessoa lida com isso de uma maneira diferente. Eventos que acontecem conosco podem engatilhar coisas que me fazem pensar se o nosso passado e o nosso presente não caminham juntos o tempo todo. Nós mudamos de ambientes, conhecemos pessoas, trocamos de emprego e algumas coisas continuam se repetindo. Se isso acontece, o problema jamais será o ambiente no qual estamos inseridos, mas sim as questões emocionais que não conseguimos resolver internamente.

Este passado triste que nossos pais, tios, avós e demais familiares criaram por considerarem coisas inaceitáveis como normais tornou o nosso presente nisto que é hoje: somos uma geração que precisa de terapia não apenas para compreender questões emocionais, mas também para superar traumas, preconceitos, cicatrizes e todas as coisas que nos foram transmitidas por pessoas que deveriam ser as principais responsáveis pela nossa saúde em geral além de nossa formação de caráter. Tudo o que podemos fazer sobre isso é nos cuidarmos para que a próxima geração seja melhor do que a nossa.

As coisas mudam com o tempo e é natural que isso seja uma constante porque vivemos ciclos históricos que a cada século ficam mais curtos. Pandemias, guerras, desenvolvimento científico e tecnológico. As mudanças que acontecem no nosso presente afetarão o futuro de um grupo de pessoas que nós não vamos conhecer e eu não quero fazer parte de um grupo de pessoas que vai deixar um legado ruim para quem vier depois de mim. Tudo o que acontece possui um motivo e um contexto. Os eventos do mundo não são separados, mas sim uma série de pequenos eventos que culminam em algo de escalas colossais. Não é assim com as nossas vidas também?

Quando nascemos, não sabemos fazer nada além de chorar. Conforme vamos crescendo dentro do ambiente de nossas famílias, nós começamos a aprender como as coisas funcionam dentro de nossa casa. Mais algum tempo se passa e o mundo acadêmico nos é apresentado. Em seguida, o mercado de trabalho abraça todos nós seja na adolescência ou no começo da vida adulta. Durante cada uma dessas etapas, as pessoas reagem de formas diferentes por ene fatores. Dentre eles, toda a carga pessoal que influenciam decisões que tomam quase inconscientemente.

Como eu disse antes, pessoas possuem cicatrizes. Eu já escrevi muito sobre isso aqui e ainda que as minhas estejam fechadas, algumas ainda doem. Eu sei lidar com luto, mas o meu luto é eterno. Eu não posso trazer de volta quem já se foi e não o faria se eu fosse capaz. Ser um homem preto em uma sociedade com racismo velado é algo que me desafia todos os dias mesmo que eu tenha a consciência de que o Brasil não seria o que é hoje sem o sangue e o esforço dos escravos, afinal, foram os pretos que carregaram o país nas costas por anos, mas isso é papo pra outro dia porque envolve um assunto que vale um texto exclusivo.

Ah! Eu ainda não disse como eu lido com o meu passado. Eu não tenho medo, eu não tenho receio e eu falo dele abertamente caso alguém me pergunte sobre algum evento da minha vida. É claro que, de pendendo de quem for a pessoa, eu vou contar mais ou menos detalhes porque sempre vai ter alguém para aumentar a história tanto quanto o pessoal que ganha dinheiro para publicar fake news. Eu aceito o meu passado.

Só porque eu aceito o meu passado e as coisas que aconteceram comigo, não significa que elas não poderiam ter sido evitadas por uma questão de bom senso tanto meu quanto das pessoas que fizeram coisas ruins comigo. Sofrer com o que o mundo causa é parte do crescimento de qualquer ser humano. Algumas pessoas conseguem lidar bem com isso, outras precisam de acompanhamento, mas na minha opinião que, neste caso, de humilde não tem nada, eu creio que precisamos nos cuidar física e mentalmente. O mundo é o que fizeram dele. O que faremos para rabiscar um novo mundo?

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