Finn, o Furioso

“Eu não sou desta terra. De onde eu venho, o sol é escuro, as terras são frias e nós vivemos de uma forma simples. Caçamos e plantamos para comer, navegamos para descobrir novas ilhas e lutamos para morrermos com honra. Esta era a minha vida com meus pais e meus irmãos até que a guerra contra os Profanos começou. Algumas alianças foram feitas e meu pai, Mikkel, foi para a guerra. Eu ainda era muito pequeno para lutar, mas todos os dias minha mãe Brigite nos ensinava a usar algumas armas.”

“Por algum tempo nós vivemos em paz e eu continuei ajudando minha mãe enquanto meu pai guerreava. Frigga, minha irmã mais nova, e Jesper, nosso caçula, sempre tentavam me acompanhar, mas nossa mãe vivia dizendo que apenas eu poderia seguir o caminho que meu pai seguiria. Por algum motivo ela acreditava que eu havia herdado a Fúria do Sol.”

“Eu não entendia o que era esta fúria e eu não queria entender também. Afinal, eu só queria ser como o meu pai. Ele sempre esteve por perto para nos ensinar o caminho dos nossos ancestrais, sempre nos ensinou a fazer o que achássemos que fosse certo e sempre nos protegia de tudo exceto de nossa mãe, que é a única pessoa capaz de fazê-lo sentir medo. Ele mesmo admite que ele prefere encarar qualquer ogro que surgir na sua frente do que lutar contra minha mãe. Ela é uma guerreira formidável, mas todos nós fomos capturados para sermos vendidos como escravos.”

“As últimas lembranças que tenho de casa são os gritos de meu pai em meio a um mar de cadáveres. Ele era a única pessoa em pé naquela ponte. Nós passamos algumas luas em um barco e por pouco Frigga e Jesper não morreram de fome e desidratação. Éramos apenas mercadoria para cada um daqueles homens. Eu tentei pensar em alguma forma de escapar, mas eu acho que isso acabou no momento que Stefan chegou do convés.”

“Stefan era um dos amigos mais próximos da nossa família. Ele e meu pai cresceram juntos, beberam juntos e lutaram juntos. Eu nunca entendi muito bem o que houve para que eles se distanciassem até que ele se aproximou de Frigga e disse que ela deveria ter sido filha dele e não de Mikkel. Eu sei disso porque ela me contou logo que ele saiu. Eu senti meu corpo aquecendo e meu sangue começou a pulsar com muito mais vigor. Me forcei a dormir porque que tinha um plano para a hora que eu acordasse.”

“Naquela madrugada, a lua estava minguante e eu senti o cheiro forte de areia, sal e sangue. Não faltava muito para que chegássemos em terra firme. Mamãe havia me dito que eu era o único capaz de seguir os passos de meu pai. Decidi colocar isso a prova e trouxe na minha cabeça a lembrança de Stefan se aproximando de Frigga. Foi neste momento que ganhei o nome que tenho aqui na cidade de Inférnia.”

“Eu estourei as cordas que me prendiam na força bruta. Fui até o guarda mais próximo e arrebentei a cabeça dele contra a parede do navio. Em seguida, peguei um par de machados que ele carregava consigo e fui eliminando cada uma das pessoas que haviam nos tratado como mercadoria. Não haviam sinais do maldito Stefan. Tudo o que eu ouvi em seguida foram os gritos de mais alguns homens do navio e lá estava minha mãe surrando os desgraçados. Quando ela me viu com os machados, ela jogou Stefan na minha direção e eu o finalizei com cravando um machado em seu crânio e outro entre as suas costelas.”

“Nossa calmaria não durou muito tempo porque uma tempestade nos cercou junto com uma névoa que nos deixou severamente debilitados. Este foi o único motivo de termos sido levados como cativos de novo, mas desta vez fomos separados. Mamãe e Jesper foram levados para o sul do deserto. Frigga foi levada para servir um dos Mercenários Chefe. Eu vim parar aqui nas mãos de demônios engravatados.”

“Todos os dias eles me alimentam com carne e sangue. Muitas vezes eu não tenho controle sobre as minhas ações e pessoas queimam logo que encostam em mim quando meu sangue ferve. Eu consigo causar barulhos quando estou longe das pessoas para que elas se distraiam. Se eu sei que a pessoa pode me ver, eu consigo deixá-la cega para que não saiba por onde eu estou chegando. Provavelmente eu estou me tornando um deles.”

“Nessas terras de Aylin as coisas são muito diferentes. A comida, a forma com as pessoas se vestem. O jeito que elas comemoram suas vitórias, a forma como elas lutam. De onde eu venho, as coisas são bem mais simples. Navegamos, pescamos, caçamos, plantamos e vivemos com as nossas famílias sejam elas grandes ou pequenas. Eu sei que nós, Mikkelson, vamos sair desta situação juntos e vivos. Meu pai não vai nos deixar para trás, minha mãe vai lutar até seu último suspiro, Frigga vai incendiar qualquer um que ousar mexer com ela e o Jesper sempre foi sorrateiro.”

“Eu não posso fazer nada como um brigão de rinha que elas chamam de gladiador. Eu preciso vencer para continuar vivo e preciso matar para poder comer. Algumas vezes ou ouço vozes quando adormeço e isso é perturbador. É isso que este povo passa todos os dias? Eu espero não me tornar um deles. Merda! Tem alguém vindo.”

– Finn, o Furioso… Nós temos alguns trabalhos para você dentro e fora da Arena. – disse Tomas Necrossangue acompanhado de Lisa Nin’alma.

– Eu sei que seu pai está treinando em um de nossos campos de treinamento. Você o encontrará na Arena. Informe-o que o Arauto da Miséria de Krivoc está em Inférnia para corromper a cidade. – falou Lisa bastante confiante.

– Tudo bem. Qual é o outro trabalho, Barão Necrossangue?

– Encontre uma mulher de nome Sofie e entregue ela essas pedras. Vai ser fácil reconhecê-la. Há uma lua minguante tatuada na testa dela.

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