Meios para um fim: 5 conceitos de personagens para RPG

Muitos jogadores e narradores de RPG costumam criar personagens que lutam por causas justas ou que tentam derrotar um grande vilão no final das contas. O que diferencia um herói de um vilão na grande maioria dos casos é um conflito de interesses baseado que divide opiniões. Com isso em mente, é possível que criar personagens que andam no limiar entre o que a sociedade considera certo, o que as autoridades defendem como errado e aquilo que o personagem acredita que deve ser feito.

Cenários de fantasia medieval retratam alguns alinhamentos que guiam, mas não limitam as ações de um personagem. Criar um personagem que realmente caminha no limite das coisas é um desafio que, se for bem executado, pode ser muito divertido de se ver. O que acha de algumas ideias de como aproveitar arquétipos e conceitos de personagens para os seus jogos? Sem mais delongas, vamos nessa que vai ser bom à beça.

O Corrupto

Corrupção é algo que personagens de RPG podem cometer em algum momento. A moral de um personagem sempre será colocada a prova em situações nas quais ele precisará decidir fazer o que é certo ou o que deve ser feito. Muitas vezes, o que deve ser feito pode ir contra aquilo que o personagem defende ou um meio para conseguir aquilo que ele mais deseja.

Quando se trata de personagens que usam de manipulação, suborno, chantagem, ameaças para conseguir vantagem subjugando outras pessoas e desrespeitando leis além de regras de conduta adotadas por um grupo que lida com elas como senso comum, você pode utilizar isso para tramar algo que leve os jogadores para um caminho no qual não há retorno.

Suponhamos que seu personagem possua uma posição elevada em uma sociedade na qual a ordem e as leis são respeitadas por todos. Isso pode levar algumas pessoas a discordar de como as coisas funcionam de modo que elas tentem resolver as coisas por meios escusos. O personagem pode encontrar um caminho no qual quebrar as regras pode ser benéfico e fazer com que a corrupção o consuma.

Sem escrúpulos

Assim como na vida, na ficção existem pessoas que fazem o que querem porque podem e ninguém é capaz de impedi-las de fazer porque elas são livres para tomar qualquer decisão em suas próprias vidas. O problema de pensamentos assim é que eles se transformam em comportamentos nocivos que, ainda que sejam motivados por uma boa causa, mais atrapalham do que ajudam.

Um personagem sem escrúpulos é capaz de matar porque alguém discorda do que ele acredita assim como pode torturar alguém apenas porque ele considera que é o que deve ser feito. Da mesma maneira, é possível que ele não queira sujar suas mãos, mas que pague pessoas e suborne outras para que paguem a pena que ele não deseja pagar. No entanto, haverão aqueles que perceberão que será necessário sujar as próprias mãos.

Sabe aquela frase de que se você quiser algo bem-feito é você quem deve fazer o trabalho? Um personagem sem escrúpulos pode ser capaz de fazer tudo aquilo que mandou os outros fazerem apenas porque ele não estava disposto a fazer tudo aquilo. No entanto, uma vez que ele decide fazer porque as pessoas contratadas não realizaram as tarefas como deveriam, ele terá de colocar suas motivações e objetivos a prova. Quantas vezes alguém defende e luta por algo bom por meio de caminhos moralmente questionáveis?

A coisa certa do jeito errado

Existem muitas obras de ficção que retratam vilões que estavam lutando por algo que acreditavam e, na maioria dos casos, eles estavam certos em tudo o que estavam fazendo, mas os métodos deixaram danos que dificilmente podem ser reparados sem um grande esforço. Alguns podem ser impedidos, mas o que fazer quando o personagem faz tudo isso e ninguém pode impedir.

Imagine o seguinte: uma mulher que perdeu tudo o que tinha. Os pais mortos durante uma guerra. Um irmão morto para salvar pessoas desconhecidas. O amor de sua vida morto pelas suas próprias mãos, reconstruído pelas mãos de um titã e depois morto novamente quando parte de sua cabeça é removida. Uma vida baseada em luto. Para enfrentar isso, ela muda a realidade para viver uma vida perfeita, mas isso torna as vidas dos moradores de uma pequena cidade em um pesadelo que envolvem as cicatrizes emocionais dela.

A personagem está lidando com o próprio luto o que é algo bom para superar seus traumas, mas o fato de ter que mudar a realidade da maneira que achar melhor é o bastante para mostrar que os métodos utilizados estão errados. WandaVision é basicamente assim. Uma personagem vilanesca que faz o que acha certo para superar o luto enquanto torna o sonho de um povo em pesadelos eternos. Eventos assim causam danos colaterais.

Rastro de destruição

É sábio temer alguém que perdeu tudo porque, quando a pessoa decide lutar, ela não tem mais nada a perder. A primeira vez que eu ouvi esta frase eu não compreendi o que ela significava, mas hoje em dia eu tenho uma visão mais clara do como as coisas realmente são. Imagine que você não tem nada. Sem família. Sem amigos. Sem emprego. Sem registros. Para o mundo inteiro você não existe e isso faz de você alguém que pode ser quem e o que quiser.

Você sabe quem foram os responsáveis pelas suas perdas e você sabe como usar armas e tecnologia por causa de seu treinamento. Tudo o que você deseja é eliminar os rastros da existência das pessoas que fizeram isso contigo. Você não tem com quem ou com o que se importar além de si mesmo. O mundo não te conhece, mas você conhece o mundo. Tudo o que você deixa é apenas o rastro de algo que ninguém é capaz de encontrar.

Personagens com uma visão de mundo deturpada ou utópica como o Justiceiro da Marvel Comics ou aqueles mais paranoicos como o Questão da DC Comics. Personagens com muita informação sobre o mundo e sem qualquer registro de existência podem fazer coisas que alguém com uma identidade conhecida não poderia fazer ainda que alguns tenham a coragem e a força necessária para fazer o que acreditam que devem fazer.

Custe o que custar

Quando se trata de sacrifício por uma causa, uma pessoa motivada é capaz de fazer o impossível. Em mundos nos quais a viagem do tempo é possível, alguém disposto pode mudar o rumo da história. Nas realidades menos voláteis, nada é capaz de ficar em seu caminho. E caso alguém que possua todas essas características, tal pessoa pode fazer com que aqueles que se consideram intocáveis temam por suas vidas.

Alguém que perde a última coisa valiosa de sua vida, um presente dado pela pessoa que este alguém mais amou e que agora não está mais neste mundo, é o suficiente para que algo ruim aconteça. O problema é que o que este alguém faz é desprezível, mas ele é bom naquilo que faz e o fará sem medo das consequências porque ele dá conta do trabalho em nome do que lhe foi tirado.

Personagens como John Wick são temidos até pelas pessoas que ousam contratá-lo. Colocar alguém com as mesmas habilidades dele e que faz o que quer porque pode me parece algo interessante quando se trata de vingança ou de algum objetivo que coloque a vida do personagem em risco ao ponto do sacrifício valer a pena.

Quando um personagem tem um objetivo a ser alcançado, ele fará o que for preciso para conseguir o que quer utilizando os meios que forem necessários. O impacto de um personagem que quer fazer o que for preciso pode ser grandioso em qualquer escala como um titã louco em busca de equilíbrio ou um homem-morcego que faz justiça com as próprias mãos.

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