Carta de Björn, o Cervejeiro

“Eu estou vivo hoje graças a uma jovem que me salvou a cerca de um mês depois de um ataque de assassinos na minha taverna. Gideão, meu bardo melodramático, não teve a mesma sorte que eu. No momento, eu espero que minhas palavras cheguem até uma das ordens devotas de Luna para que a clériga que me salvou saiba que sou eternamente grato. Pois bem, Noora, aguardo a resposta a este pergaminho.”

“Quando eu acordei com uma Moeda de Luna em meu bolso, eu soube que havia sido você a minha salvadora. Você deu uma segunda chance para este velho anão e aventureiro aposentado. Na noite do dia que vocês partiram em viagem com Lucius, eu segui rumo a Fragor, minha cidade natal a trancos e barrancos. O velho Sombrio Lamento, meu martelo de guerra, foi colocado em ação contra hordas de mortos-vivos. Eu vi o Eclipse se formando para mim algumas vezes, mas Yrius sempre me trazia de volta me lembrando da segunda chance que você me deu.”

“Durante minha jornada, eu encontrei uma ordem de caçadores de monstros que, em algum nível, também são monstros. Roupas pretas, olhos avermelhados e armas de madeira e de prata embebida em água benta. Eles são devotos do Panteão do Caos e isso lhes concede força e acesso aos poderes dos domínios caóticos. Implacáveis como Lena e Elder Blackheart, os antigos líderes dos Dragões Negros. Eles me salvaram e me ajudaram a chegar na fronteira da Coalizão dos Pequenos Homens de Fragor.”

“Ouvir os sons das Tempestades de Mana e das Trovoadas Divinas, sentir o cheiro dos alimentos que os Pequeninos preparam com tanta paixão e observar os Gnomos desengonçados construindo suas engenhocas por meio da forja e da Essência de Kosmo. Eu finalmente pude voltar para casa e viver pacificamente como os meus antepassados.”

“Talvez você não saiba por conta do pouco tempo que tivemos, mas, Noora, eu sou membro de um clã de anões cervejeiros. Somos os únicos capazes de fazer um Hidromel de Cevada que nem mesmo um gigante é capaz de beber sem que adormeça por algumas horas. Aqui em Fragor, eu reencontrei parte de minha família e velhos companheiros de aventuras. Espero que algum dia você possa vir até aqui e conhecer esta grande cidade na qual magia e tecnologia caminham lado a lado.”

“Seus feitos contra Névoa Rubra estão sendo cantados pelos bardos de Fragor. Eu mesmo fui o responsável por espalhar as boas novas quando a criança que criou a cura colocou seus nomes nos pergaminhos. Espero que os Raios de Tormond caiam sobre você porque ele foi um excelente comandante na Guerra das Feras. Aguardo ansiosamente para de mostrar o memorial que há para o Major Tormond, Campeão Lunar das Terras Cheias e Sacerdote Tempestuoso de Magni.”

“Em algumas semanas eu levarei as alguns barris de Hidromel de Cevada para Inférnia pois eu soube que o Torneio da Arena de Ramael está próximo. A própria Tríade fez as encomendas e garantiu que algumas das premiações envolvem bebidas de toda Aylin. Eu não sei se você tem interesse em participar, mas o grandão do machado e a caladona chifruda podem ficar interessados.”

“Acho que eu não disse isso ainda, mas você e seus amigos são conhecidos em todas as capitais como heróis. Aqui em Fragor há crianças querendo se tornar inventoras como Maise e outros estão abraçando seus instintos para lutar como o grandalhão. Ah, se ele precisar de ajuda para voltar para casa, eu conheço uma rota que leva para o Arquipélago do Ocaso, o verdadeiro norte que o humano do machado vive falando.”

“Noora, eu não sei quais são os seus objetivos de vida nem mesmo o que você deseja fazer, criança, mas saiba que o velho anão aqui te ajudará no que for preciso. Muitos anões como eu não sabem como lidar com pessoas, mas se eu estiver em uma taverna, você e qualquer pessoa que estiver ao seu lado não precisaram se preocupar com a conta pois eu e a Guilda da Cevada Cromática pagaremos por tudo o que beberem e comerem além da hospedagem. Só não exagerem muito porque vai levar um tempo para que nossas plantações voltem ao normal.”

“Ainda que meu braço não volte mais a ser o mesmo para manejar o Sombrio Lamento do Panteão da Luz, eu continuarei ajudando aventureiros e viajantes como você da maneira que eu puder. Eu posso ser um anão velho, mas ainda há muita vida em mim. Vocês possuem um aliado em Fragor e são considerados heróis em nome da Trindade Gerontocrática Infernal das Terras Minguantes.”

“Não há muito mais para dizer além de que você tenha uma boa sorte em sua jornada e que posso lhe manter informada sobre qualquer coisa agora que reabri minha taverna em Sombraforja. Que a Lua Cheia guie seus passos, Noora das Terras Minguantes.”

Logo que terminou de escrever a carta, Björn olhou pela janela e viu seu amigo Ton’Icho caminhando e segurando uma caixa. Minutos depois, o Gnomo estava na porta da casa de Björn com o embrulho.

– Olha que oportunidade magnífica, anão! Eu posso trocar o seu braço podre por esta peça construída exclusivamente para você. Gostaria de experimentar?

– Por acaso você me dá escolha, Ton’Icho… Vamos, mas primeiro eu preciso levar isso para uma mensageira que eu encontrei a caminho de Fragor.

Björn então vai até um beco escuro no qual há uma figura feminina em meio a penumbra. Ela se aproxima com seus cabelos cacheados, seu bordão, com suas roupas simples e com seu característico lenço azul-escuro. Ela sorri enquanto se abaixa para olhar nos olhos do velho anão cervejeiro.

– Então você quer que eu leve este pergaminho sujo e manchado de tinta para Inférnia porque você está com saudades da moça que salvou a sua vida?! Que fofo, Björn, aposto que ela adoraria trocar suas fraldas.

– Só leve isso logo, Iris… – suspirou Björn encabulado.

Iris salta pelos telhados e segue rumo ao sul.

– Noora, onde eu vou te achar?

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