Os Gêmeos do Coração Negro

A Torre Obsidiana. A única estrutura de Lumius construída antes da fundação da cidade é a base de operações do serviço de inteligência de todo o Reino Argênteo de Lumius. Todo o ambiente é fracamente iluminado por tochas para que os membros da organização estejam sempre atentos a tudo o que acontece. Sons, vultos, cheiros ou qualquer coisa que possa ser detectada pelos cinco sentidos deve ser observada. Foi neste ambiente soturno e formado pela elite de espiões e assassinos da capital humana que eles nasceram e hoje lideram a guilda mais poderosa e influente do reino. Quem são eles? Você logo vai saber.

No campo de treinamento, os recém-chegados são sempre recepcionados com um teste que coloca a prova se ele realmente merecem fazer parte da organização: localizar o gêmeo em um ambiente de visibilidade zero. Para criaturas que enxergam no escuro deveria ser um trabalho simples, mas eles precisam lidar com a escuridão mágica feita da pura essência de Bazz criada pela gêmea. Aqueles que falham logo na primeira etapa saem gravemente feridos e, geralmente, desistem de tentar novamente. O gêmeo não alivia porque acredita que é necessário que um assassino saiba se virar e não a seguir planos. Em contrapartida, a gêmea acredita que um plano bem estruturado é a base para o sucesso de qualquer missão.

A gêmea, por sua vez, é a responsável por toda a burocracia da guilda. Ela cuida do pagamento, das relações com a Coroa do Reino Argênteo além de ser a responsável pelo bem-estar de cada um dos membros. Diferente de seu irmão que se preocupa em transformar seus aprendizes em verdadeiras máquinas de matar, ela é a responsável por manter tudo em ordem. Desde a forja das armas da guilda até as reuniões com a Cúpula das Presas, os ministros que servem ao reino. Todos os dias após terminarem suas respectivas tarefas, eles conversam sobre o dia da melhor maneira que podem: demonstrando suas habilidades diante dos aprendizes.

– É, maninha, você passa o dia sentada naquela poltrona e ainda se considera uma Sombra Dracônica… papai teria vergonha de você se ainda estivesse vivo.

– Para um mestre assassino tão silencioso você fala demais, caçula. Acho melhor afiar suas adagas da mesma forma que afia sua língua. Agora deixe-me te envergonhar na frente de seus queridos dragõezinhos.

Com saltos acrobáticos, Tyler e Sara Blackheart começaram a apagar as tochas que iluminavam o salão de treinamento de combate da Torre Obsidiana que agora era iluminado pela luz da lua crescente. Durante o combate, Sara falou de forma que sua voz ecoasse como o sussurro de um espectro em uma masmorra.

– Dragões Negros, o objetivo de vocês é saber onde estamos apenas acompanhando o som das lâminas enquanto Tyler e eu colocamos nossa conversa em dia.

– Como sempre… muito lenta.

Tyler tolamente tentou imobilizar o que acreditava ser Sara. Era apenas uma de suas ilusões falando por ela e isso o deixou nitidamente frustrado ao ponto de despertar o poder se suas tatuagens que brilharam em um verde-esmeralda assim como ela planejou. Sara então arremessou adagas contra Tyler que desviou sem dificuldade e conseguiu localizar sua irmã pelo cheiro característico do veneno de basilisco que ela utiliza em suas armas. Então eles finalmente começaram a lutar e conversar.

– Ei, maninha, fiquei sabendo que o filho dos Dillinger conseguiu um navio depois que fez um servicinho para aquele meio-elfo que você adora. Xavier alguma coisa…

– Ah, o Áquila. Se eu pudesse, eu mesma mataria aquele coletor de impostos. Lupo, Sacrassangue e eu estamos atrás dele a dias. Eu aposto que ele vai aparecer para o julgamento da Névoa Rubra. Ele adora politicagem.

– E você não? Tarathiel, Cedrico e Alícia não saem de perto de você. Deve ser tão divertido passar horas falando com eles e não resolver nada. – disse Tyler com desdém.

– Vou me lembrar disso quando o Primeiro-Ministro, o Príncipe e a Reitora da Academia de Artes Arcanas quiserem alguma recomendação de alguém para eliminar aqueles que roubaram as pesquisas deles.

– Falando em pessoas importantes, aquele fortão da Cerberus está aqui. Parece que a filha dele está trabalhando com aquele gnomo que fez nossas manoplas. Acho que vou trocar uma ideia com ele, Sara. Armas elementais podem ser úteis contra o Filho do Inferno, mas também contra a sua amiguinha que causou problemas no Acampamento de Razi.

– Jamais diga que Lyth é minha amiga, Tyler… se tem amor a sua vida…

– Nós sabemos que eu não tenho e você jamais mataria seu irmãozinho.

Ele estava certo e Sara sabia disso. No entanto, nada a impediria de machucá-lo gravemente se quisesse, mas ela jamais o faria. Seus corações e suas lâminas foram conectadas pelo sangue do primeiro dos Blackheart que, em tempos imemoriáveis, tornou-se um Dragão Preto por meio da Acensão do Coração Negro.

Antes de Tyler e Sara assumirem a liderança dos Dragões Negros, seus pais, Eliot e Lamia Blackheart eram os Sombra Dracônica, os líderes que uniram seus corações e suas adagas com o propósito de seguir o legado de Grão-Feiriceiro Alastor Blackheart, o ancestral responsável por manifestar a essência dracônica ao herdar os poderes de uma linhagem de dragões pretos. Os tomos da Família Blackheart revelam que há uma maneira de despertar um eco de Alastor e ascender como um Dragão Preto. Muitos ancestrais de Tyler e Sara falharam em conseguir isso. A gêmea desistiu de convencer seu irmão a deixar a Ascensão Dracônica de lado diretamente e sempre sabota as tentativas dele por medo de perder a única pessoa com a qual ela realmente se importa.

Após a demonstração de poder e habilidade além da conversa entre si, Sara e Tyler foram para os seus respectivos aposentos. Então Sara pensou.

“Tyler ainda não sabe o que Arthur se tornou. Aquele garoto tentou saber muito sobre mim e eu não tive escolha. Agora ele é como eu e como todos os outros membros da Noite Escarlate. Eu não quero chegar ao ponto de matar meu irmão, mas farei se for necessário.”

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