A Regência de Marco

– Sara finalmente entregou o Principado a mim. Selene, minha mais valiosa amiga e a pessoa mais leal a Camarilla que já conheci em toda a minha existência, agora assumirá o cargo de Xerife que anteriormente era ocupado por Alice. Acredito que Eustáquio seja o melhor dentre nós para ser o meu Senescal. Digam-me, membros do conselho, estão todos de acordo?

Marco sempre foi muito aberto a sugestões mesmo quando ainda era mortal. Após auxiliar Sara durante uma Revolta Anarquista em Amaya, eles tornaram-se aliados com uma causa comum: manter as tradições a qualquer custo. Com base neste objetivo, Marco se tornou o Senescal de Amaya e assim permaneceu por quase duzentos anos ao lado da Príncipe Sara. Nenhum membro do conselho teve motivos para reclamar de Marco que, agora, assumiu o Principado de Amaya com aprovação unânime do Conselho Primogênito.

Esta primeira reunião aconteceu semanas depois do ataque dos Anarquistas logo após o vazamento de dados que revelou a localização dos refúgios da maioria dos membros da organização cainita. O conselho formado por Marco tinha um único objetivo que eu garantiu que todos concordassem.

– Vamos limpar Amaya. Anarquistas não serão tolerados, os Hecata e as Autarquias devem se tornar aliados e, caso recusem, devem ser eliminados como seriam em uma Caçada de Sangue. Quanto ao Sabbat… Eles podem estar em qualquer lugar. Peço que fiquem atentos, mantenham suas crias e seus rebanhos seguros.

Ao término da reunião com o novo Conselho Primogênito, Marco decidiu procurar Arthur que ainda sentia luto pela morte de Delsys e por saber que Sara deixaria o Principado para voltar a se dedicar a música junto com Rebeca até onde ele sabia. Ainda que o nome verdadeiro de Rebeca fosse Joana, ninguém além de Arthur e Delsys chamavam ela assim até onde o atual Príncipe sabia.

Chegando na mansão de Arthur, Marco se anunciou e um dos seguranças autorizou a entrada do Ventrue no refúgio do ex-pirata. O ambiente estava impecável como todo refúgio de um Toreador que gosta de ser o centro das atenções. A única coisa que incomodava Marco era o silêncio dentro da mansão. Arthur sempre manteve todas as luzes acesas para que seus empregados pudessem cuidar de tudo por ele durante a noite. Todos os carros estavam na garagem. Havia algo errado e o Príncipe sabia que, no pior dos casos, precisaria agir com mais do que apenas sua excelentíssima oratória.

– Arthur! Sou eu, Marco. Eu estou aqui para saber como você está. – disse antes de perceber que a porta da frente estava entreaberta. – Estou entrando…

Quando abriu a porta, o cheiro ferroso de sangue fresco chamou sua atenção. Por conta de sua maldição e experiência, Marco notou que se tratava de sangue de vampiro. Não havia sinais de combate, não havia nada quebrado. A cada segundo o cheiro ficava cada vez mais forte ao ponto de obrigar Marco a se conter porque ainda não havia se alimentado naquela noite. Seguindo o cheiro do sangue, Marco encontrou um quarto aberto.

A visão daquele cômodo era grotesca e poética ao mesmo tempo. Arthur sempre foi obcecado por aventuras e apaixonado por mulheres e a disposição dos corpos deixava isso claro: algumas mulheres nuas presas por cordas, correntes e algemas estavam semiconscientes por terem sido drenadas até quase morrerem. Todas elas tinham características em comum como olhos claros e cabelos longos que variavam de tom entre o louro e o ruivo. Algumas não sobreviveriam e, caso algum empregado visse aquilo, seria uma quebra de máscara.

Como todo Ventrue, Marco também se preocupava com a sua imagem além dos seus negócios. Ele precisava procurar Arthur e não precisou de muito esforço porque no momento em que deu um passo para trás Marco sentiu um baque muito forte no peito e algo se chocando contra o seu tornozelo. Marco caiu um abalado no chão e então viu aquele que era o dono da residência segurando uma estaca com os olhos da besta sedentos por sangue.

– Marquinhos… O novo Príncipe de Amaya e o queridinho da temida Sara. – disse Arthur enquanto se aproximava vagarosamente. – Sabe, Sangue Azul, eu já sofri muito nessa existência. Vince matou minha irmã. A Dê morreu na explosão que também matou o pinscher da inquisição a exatos 63 dias. Eu tinha o sonho de ser o dono desta bela cidade, mas agora você tirou isso de mim, Ventrue. Você é realmente sádico, Marquinhos… E você conhece as tradições, você não pode me ferir no meu refúgio!

Arthur saltou na direção de Marco que por pouco conseguiu se esquivar. Sem entender muito o que estava acontecendo, Marco olhou para Arthur e disse algo que apenas piorou a situação.

– Arthur… você ainda tem seus negócios e pode colocar outra pessoa no lugar de Delsys como CEO. Você não precisa levar as coisas ao extremo, mas se o fizer, serei obrigado a revidar.

– Ouça bem, Ventrue… Joana me disse a mesma coisa e agora ela não fala mais nada para mim ou para qualquer outra pessoa.

Marco não precisou de muito tempo para compreender o que aconteceu. Arthur perdeu sua irmã, perdeu o amor de sua vida e matou a própria cria. Isso certamente poderia acabar em uma Caçada de Sangue e ele tinha todas as provas. No entanto, usando de sua Dominação, Marco endireitou sua postura e fez uma proposta interessante para Arthur.

– Dillinger, ouça com atenção o que estou propondo: Sua fúria pode ser muito mais útil se canalizada nos culpados pelas mortes de seus entes. Vincent é considerado um traidor e ainda há muitos Anarquistas espalhados pela cidade além da Inquisição que foi a responsável por uma, senão a maior, das suas perdas. Seja meu Algoz, Capitão Arthur Dillinger.

Arthur ficou parado por alguns minutos em um silêncio constrangedor e mortal. A resposta do Toreador em luto foi um aperto de mãos e um olhar voraz nos olhos de Marco que, ao sentir que cumpriu seu papel como Príncipe, deixou o local. Arthur murmurou.

– Você não perde por esperar…

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