5 dicas para desenvolver o arco de um vilão no RPG

Vilania é uma questão de ponto de vista. Isso soa absurdo, mas vamos pensar da seguinte maneira: O vilão é a figura que contrapõe o espectro do herói fazendo com que eles sejam inimigos naturais por diversos motivos. Uma vez tendo isso esclarecido, se você joga do lado do vilão na sua história, você é o herói e o herói, seu inimigo, é o vilão. Isso parece confuso, mas funciona bem tanto em livros quanto no RPG.

Trazendo essa visão para a realidade de jogadores e narradores, eu notei alguns padrões nos meus antagonistas e acredito que essas coisas podem te ajudar a desenvolver personagens um pouco mais complexos, carismáticos e, muitas vezes, extremamente sádicos, meticulosos e cruéis. Então eu decidi listar cinco dicas de como desenvolver um vilão e suas motivações para suas mesas de RPG. Por fim, sem mais delongas, vamos nessa que vai ser bom à beça.

Defina o passado do vilão

Assim como qualquer personagem, o antagonista tem uma história que moldou seu caráter e o tornou a pessoa ou criatura que é hoje. A história deste personagem não precisa ser mirabolante e inovadora. Há muitos vilões nos quais você pode se inspirar para dar vida aquele que vai ser a pedra no sapato dos seus jogadores de acordo com o que você espera que ele seja. Não é preciso muito para lembrar de personalidades clássicas como o Coringa, o Thanos ou o Duende Verde.

A história de origem do vilão não é muito diferente da jornada do herói. O verdadeiro contraste está no evento que levou o personagem a se tornar uma pessoa que utiliza seus recursos com o intuito de afetar outras pessoas negativamente. Em linhas gerais, você pode descrever o básico como o nome, personalidade e o que ele é capaz de fazer. No entanto, é preciso se aprofundar um pouco mais para que ele seja um personagem que impacte os jogadores.

Descreva como ele desafia o senso comum

Diferente do herói que luta para manter o mundo em harmonia da maneira que ele é atualmente, um vilão age contra a ética e a moral de uma sociedade. Seja por causa de um trauma ou por pura ganância, a forma que o vilão age é prejudicial e costuma causar algum tipo de reação nas pessoas que, direta ou indiretamente, possuem alguma relação com ele. A principal questão neste ponto é: Qual das regras ou das condutas sociais este personagem quebra sem escrúpulo algum?”

Ele acredita que governar com punhos de aço é a única forma de evitar o caos? Ele acredita que o mundo é um lugar injusto que precisa ser restaurado a qualquer custo? Ele descobriu um segredo ancestral que precisa de almas para realizar um ritual macabro? Talvez ele seja apenas um mercenário temido por eliminar pessoas consideradas intocáveis e que agora quer assumir o poder em alguma capital do seu mundo. De uma forma ou de outra, haverá algo que o vilão deseja e para isso, ele precisa planejar cada um de seus passos.

Liste quais são os métodos do vilão

Uma vez que você sabe quem é o antagonista e o que ele quer realizar, é preciso listar como ele vai agir e quais recursos ele tem à disposição para que seus planos funcionem de acordo com os seus objetivos nefastos. É aqui que entra o ponto que dá início a diversas aventuras de RPG: os recursos do vilão afetam diretamente as histórias dos personagens dos jogadores que poderão descobrir, ou não, que o culpado sempre esteve por perto manipulando tudo através das sombras.

O antagonista pode ser o autor ou mandante de um assassinato. Ele pode ser um poderoso conjurador que envia hordas de monstros para massacrar vilarejos. Talvez uma líder de guilda que vive sob a lei do mais forte pode estar buscando influência política enquanto reduz as forças de outras guildas por meio de boatos. Um vilão não precisa necessariamente ser mau apenas porque gosta de ser assim. Quanto mais humanizado e deturpado ele for, mais as pessoas irão amá-lo. Loki é um exemplo claro disso.

Aponte como seus atos afetam uma sociedade

Já que o vilão prejudica vidas, como essas vidas são prejudicadas? Não estou falando da vida dos heróis, mas sim das pessoas comuns. Por causa do número de assassinatos, os militares impuseram um toque de recolher? Como o número de trabalhadores diminuiu, o monarca aumentou a taxa de impostos? O último ataque de monstros destruiu as plantações de um vilarejo próximo e agora as pessoas estão se matando por um pedaço de pão mofado? Seja qual for o motivo, pessoas estão sofrendo.

Os problemas causados por um bom antagonista são escaláveis. Um ataque de monstros, um grupo de assassinos, um culto, seus soldados mais confiáveis, uma fração de seus verdadeiros poderes e, por fim, sua verdadeira forma. Os problemas causados pelo vilão podem ser solucionados de alguma maneira. O fato é que haverão pessoas lutando contra o problema superficial enquanto que outras vão explorar os erros e pontos fracos do ser que abusa dos recursos que tem para eliminar toda e qualquer ameaça que entre no seu caminho.

Crie algumas vulnerabilidades

Por mais poderoso que um vilão seja, ele sempre terá algum ponto fraco e nem sempre precisa ser um ego inflado. Personagens muito poderosos costumam ter pontos fracos que parecem inimagináveis de tão mundanos que eles são. Um ponto vital é sempre um ponto fraco assim como uma boa provocação pode fazer com que ele entregue um de seus planos. Assim como os heróis, os vilões têm sentimentos e isso pode ser o maior dos pontos fracos.

No quesito poderes, os pontos fracos podem ser infinitos. Um mago não faz nada sem componentes, foco arcano ou seu grimório. Um guerreiro desarmado não pode fazer muita coisa. Um morto-vivo certamente vai ter problemas ao enfrentar um herói abençoado pelos deuses. E o que seria de um druida sem o auxílio dos espíritos da natureza? Quando o vínculo do vilão com seus poderes for rompido ou seus recursos drenados, ele não terá muito o que fazer.

A diferença entre os heróis e os vilões é que eles, os caras maus, fazem o que fazem porque podem enquanto que os mocinhos fazem o que é certo segundo aquilo que acreditam. Eu certamente acredito que um bom vilão não é aquele que comete atrocidades apenas porque quer se divertir vendo a dor de outras pessoas, mas porque ele tem a convicção de que a única maneira de resolver os problemas de seu mundo é por meio de seus métodos e com o uso de seus recursos.

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