A origem de Elloran

Em um vilarejo pequeno nos arredores de Ael’Fellor, uma família simples foi agraciada com uma criança. A pequena criaturinha de olhos azuis e cabelos dourados trouxe alegria ao casal de elfos que já tinham idade avançada. Após receber as felicitações de seus vizinhos e familiares, o casal levou a criança até a capital élfica para que os Arquimagos nomeassem a criança de acordo com o destino que Zeit, o Deus do Tempo, trilhasse para a recém-nascida.

Durante a viagem até Ael’Fellor, a família foi guiada por criaturas feéricas durante todo o caminho. Fadas, Ents, Elfos e até os nobres Eladrins acompanharam parte da viagem enquanto confabulavam qual seria o destino da criança que dormia tranquilamente no colo de sua mãe que estava feliz ao ver seu esposo desacelerando o ritmo da viagem para que eles pudessem aproveitar a visão paradisíaca do arquipélago no qual eles viviam. Depois de alguns dias de uma viagem tranquila, a família chegou a Ael’Fellor, a cidade mais avançada no estudo da Essência em Aylin.

Prédios altos feitos de magia bruta, pseudodragões voando ao lado de estudantes de magia, um grupo de pesquisadores discutindo sobre viagem planar, fadas fazendo entregas de pães e frutos para crianças élficas que brincavam com os truques inatos que receberam do Arauto de Norian, o Eladrin escolhido para dar seguimento ao legado da primeira arquimaga do mundo. Maravilhados com tudo o que os cercava, o casal levou a criança até o Arauto que ficava no centro da capital e, para a surpresa deles, o Eladrin já os aguardava.

Uma comitiva formada por treze criaturas feéricas aguardava ansiosamente a chegada da criança que viajou por dias para receber seu nome e saber qual seria o seu destino. O Arauto de Norian estava no centro. A sua direita estavam os Eladrins da Primavera e do Verão junto com os Arquimagos de Evocação, Abjuração, Encantamento e Transmutação. A esquerda os Eladrins do Outono e do Inverno olhavam para os Arquimagos de Ilusão, Necromancia, Conjuração e Adivinhação. Quando o casal se aproximou, todos reverenciaram a criança que foi deixada em um berço de marfim. Ao retornar para o local onde seu esposo aguardava, a mãe da criança olhou para os membros do Conselho de Rayla e acenou para que o Ritual de Nomenclatura começasse.

Os Conselheiros estenderam suas mãos um de cada vez para acumular a energia arcana de modo que o Arauto entrasse em contato com os Arcanos. Após uma breve viagem astral, o Arauto de Norian estava diante de oito deuses e ao lado da nona divindade. Ele tinha uma pergunta para fazer.

– Arcanos, em nome de Norian de Ael’Fellor, eu, Thallan da Floresta das Bestas, questiono: qual é o nome e o destino desta criança?

Dentre os deuses, apenas três se manifestaram. Bukuri, a Arcana do Encantamento, Luna, a Arcana da Ilusão e Bazz, a Arcana da Necromancia. Elas falaram em uníssono.

– Esta é Elloran das Ilhas de Naylo, ela nos servirá, mas os segredos de Bazz alimentarão sua sede de poder.

Perplexo ao saber que o destino da garota seria guiado por Bazz, Thallan despertou em Ael’Fellor e comunicou a todos sobre o que lhe foi dito. Os pais que estavam animados começaram a se preocupar e retornaram para casa com um estranho peso nos ombros. Talvez a bênção deles fosse a maldição que o mundo não estaria pronto para enfrentar.

Anos mais tarde, Elloran cresceu e desenvolveu interesse por magia. Sempre sagaz em relação ao mundo e com facilidade para aprender, ela falava fluentemente idiomas que não eram conhecidos pelas pessoas de sua região. Seus truques ilusórios lhes colocava em problemas no seu vilarejo e por isso ela sempre levava bronca dos pais. Quando atingiu a maioridade, Elloran foi encaminhada para a Academia de Artes Arcanas de Ael’Fellor, mas foi reprovada e banida de estudar magia na capital feérica pelo próprio Thallan, o Arauto que revelou seu destino neste mundo. Isso a levou a deixar as Terras Novas e se mudar para as Terras Crescentes.

Em Lumuis, a Capital Lunar das Terras Crescentes, Elloran entrou na Academia Arcana e se especializou em Ilusão e Encantamento durante alguns anos. Mesmo não sendo a melhor aluna de sua turma, Salazar Sangr’alma via potencial na garota assim como via isso me sua filha adotiva que tinha talento para manipulação de elementos. No entanto, enquanto estava estudando para conseguir sua licença de Conjurador Raro, Elloran encontrou um grimório ancestral feito de couro de dragão que falou em sua cabeça.

– Elloran… seu desejo por poder é insaciável e eu posso lhe garantir isso… leia, aprenda e manifeste sua verdadeira Essência, minha doce Névoa Rubra. – disse paulatinamente uma voz bestial e desconhecida para a jovem maga.

Depois disso, colegas da Academia Arcana notaram que a elfa estava se tornando distante. Materiais raros, pergaminhos e tomos antigos da biblioteca particular dos Mestres começaram a desaparecer. Os olhos azuis de Elloran foram consumidos pela magia necrótica até que ela foi abordada por professores da Academia Arcana e se viu obrigada a drenar suas Essências. Salazar estava presente na situação e quando viu o que Elloran havia feito, fugiu para um refúgio ao norte do continente em busca de uma resposta.

Agora, autointitulada como Narolle, a Névoa Rubra, a elfa necromante se tornou parte de uma profecia que fala sobre o retorno de um mal que pode romper os ciclos e destruir a realidade que os mortais conhecem. Tudo o que algumas pessoas da Academia de Artes Arcanas de Lumius sabem é que Elloran está sendo acusada pelo desaparecimento do Mestre Salazar Sangr’alma e por ser a criadora da Névoa Rubra.

Ninguém desconfia que a influência maligna de uma criatura que foi banida de Ayla é a responsável por manipular Elloran como uma marionete nas mãos de um ventríloquo ou uma ferramenta nas mãos de um habilidoso artesão. Ela provavelmente será a primeira de muitas investidas desta criatura e o destino dela após a manifestação da Névoa Rubra é incerto e extremamente perigoso para os mortais de Aylin.

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