Rastros da Profanação

Após um poderosíssimo estouro arcano na região norte do Continente de Aylin, as forças do Primeiro Dracolich Krivoc foram dizimadas dando fim a Guerra das Feras. Isso mudou como as demais civilizações enxergavam os elfos da região e, poucas semanas depois deste evento eles foram exilados para o Arquipélago de Ael’Fellor. Alguns acreditam que isso foi uma manobra para que eles focassem seus estudos nos mistérios da Essência enquanto que outros consideram isso uma punição pelos crimes de guerra. O que ninguém imaginava em meio a tantos tratados é que no local da explosão haviam sobreviventes.

Enquanto as Capitais Lunares resolviam toda a questão política das novas fronteiras, um grupo de homens e mulheres se reerguiam em meio aos destroços da explosão que deu fim ao conflito. As vestimentas de cada uma das pessoas estava em trapos e as armaduras em frangalhos além de terem graves ferimentos como fraturas, hemorragias e membros dilacerados. Conforme procuravam mais sinais de vida entre os corpos, mais frustrados eles ficavam em meio ao vale que apresentava uma leve garoa púrpura. Dentre eles, um homem pálido, magro e rouco se impôs.

– Nós perdemos… ainda que nosso pai estivesse lutando por uma causa justa, fomos derrotados. Tudo o que temos agora é o seu legado e precisaremos de aliados caso queiramos continuar com aquilo que ele não conseguiu terminar.

– Kain, como poderemos seguir em frente? Ninguém jamais teria o poder de nosso pai para encarar tamanhas forças como ele. Todas as raças estão unidas e nós mal temos um refúgio para nos abrigarmos. Olhe ao redor! Nós não somos nada sem Krivoc! – disse Rosiel, uma drow.

Kain então se levantou enquanto segurava as mãos de Rosiel com delicadeza. Ambos olharam para aquele vale com diversos cadáveres e, por fim, Kain voltou a falar enquanto realizava um ritual arcano.

– Todos nós somos filhos de Krivoc, mas apenas eu tenho o sangue do Dracolich correndo em minhas veias. Com o passar das décadas, nós reergueremos o império profano que meu pai tanto sonhou e angariaremos poderes inimagináveis durante o próximo século. Não se esqueçam da profecia que Zeit fez quando visitou Aylin! O Renascimento Profano marcará o retorno de meu pai, nosso mestre. Todos temerão a força dos Herdeiros de Krivoc, o Primeiro Dracolich.

Ao término de seu breve discurso, Kain estendeu seus braços e a essência que ele estava moldando começou a se manifestar. Ossos se batendo. Tecidos se reconstruindo a uma velocidade alarmante. Aqueles que estavam agonizando recuperaram sua vitalidade ao passo que se transformavam em criaturas que se alimentaram dos corpos que ainda estavam quentes. Poucos minutos depois, Kain e Rosiel possuíam um exército de mortos-vivos sob seu comando.

Nas sombras das recém-estabelecidas Capitais Lunares, os cultistas começaram a recrutar membros para o culto profano fundado por Kain. Eles cresciam exponencialmente em número e em poder arcano a cada ano enquanto se infiltraram em diversas capitais, mas não conseguiam chegar ao covil no qual seu primeiro mestre guardava seus segredos no Arquipélago de Bahxis.

A linhagem de Dracos que serviam Krivoc ficou em coma por décadas após o seu desaparecimento. Kain e seus seguidores trabalharam para descobrir o motivo de tal evento e não parecia ser algo natural nem mesmo mágico. Isso levou o líder dos Herdeiros de Krivoc ao início de uma jornada solitária em busca de respostas. Ele viajou por alguns anos atrás de pistas de covis de outros dragões. Vilarejo após vilarejo e sempre evitando permanecer mais do que alguns dias nas Capitais, ele descobriu uma maneira de chegar a Bahxis, mas não seria uma tarefa simples de ser realizada.

Kain encontrou um covil selado. A região possuía diversas poças de ácido. O ambiente era quente e o vapor corrosivo incomodava os olhos além de ofuscar um pouco sua visão. O terreno acidentado dificultava a caminhada até a entrada do covil que, segundo o mapa, estava localizado nas profundezas de uma montanha. Mesmo com tantas dificuldades, Kain seguiu em frente e passou dias, talvez semanas, investigando o interior do covil e lá ele encontrou as ossadas de seu falecido pai. Por um momento ele tentou segurar suas emoções, mas não conseguiu contê-las por muito tempo. Kain chorou inconsolavelmente por alguns minutos.

Quando o Herdeiro Dracônico se recompôs, uma voz doce, feminina e distante começou a chamar seu nome. Por um instante ele achou que era alguma ilusão até que, das sombras, uma mulher começou a vir em sua direção. Ele se colocou em posição de combate, mas ela não parou de caminhar. Kain ameaçou um ataque e no próximo segundo ele estava suspenso no ar. Logo em seguida, o Herdeiro foi lançado contra uma das paredes do covil. A mulher começou a falar calmamente.

– Kain, o Herdeiro do Dracolich Krivoc. O que busca no mausoléu no qual está o cadáver daquele que lhe seu a vida mortal?

– Quem é você, mulher?! O que faz aqui na tumba de meu pai? – indagou Kain.

– Isso não é jeito de falar com a Arcana Necrótica, criança de essência dracônica. Eu sou Bazz, aquela que nasceu daquilo que vocês chamam de Necromancia. Exijo mais respeito porque tenho um presente para você. Agora, por favor, me acompanhe.

Desconfiado, mas curioso, Kain seguiu aquela que dizia ser Bazz. Ela o levou pelas galerias do covil de Krivoc. Tesouros, artefatos, bibliotecas e corpos preservados de aventureiros que tentaram saquear aquilo que pertencia ao Dracolich.

– Aqui está, Kain… esta é sua herança e aqui estão as profecias sobre os Arautos da Profanação.

Kain começou a ler e compreendeu aquilo que Zeit havia profetizado ao seu pai. Bazz acompanhou de perto tudo o que Kain estava fazendo até que ele leu em alto e bom tom.

– A Névoa Rubra será uma aprendiz desacreditada… O Sedento Miserável é um irmão de sangue sobre o qual é pesada a coroa… A Seta Arenosa é a responsável pelas contendas do mundo… O Herdeiro Dracônico, seu único filho será o receptáculo para seu Renascimento Profano desde que colete os Fragmentos do Eclipse.

Impressionado com tudo o que aprendeu, Kain olhou novamente para Bazz, a Arcana Necrótica e fez uma referência para aquela que ele acreditava ser a divindade nascida da Essência da Necromancia. Ele se ajoelhou perante ela e fez um juramento de sangue.

– Bazz, Deusa da Morte e Arcana Necrótica das Nove Esferas, eu, Kain das Cordilheiras Uivantes das Terras Crescentes, serei seu Arauto até que eu esteja pronto para entregar minha vida para o retorno de meu pai. Eu lhe servirei como o Herdeiro Profano do Dracolich.

Bazz o abençoou com seu poder e ofereceu uma simples missão que ele prontamente aceitou. Kain se encaminhou para a saída do Covil de Krivoc e partiu em direção a base de operações na qual estavam seus seguidores. No caminho, ele posicionou alguns artefatos que seu pai deixara como herança. Eles os nomeou como as Preces do Sangue de Ácido e espalhou quatro dos cinco artefatos locais onde os Arautos da Profanação encontrariam com facilidade. Depois da jornada, ele decidiu repousar até o primeiro Arauto despertar os poderes de seu pai.

Décadas após tais eventos, uma doença se espalhou por Aylin deixando mortos por todo o caminho. Kain despertou.

– Finalmente… é chegada a hora!

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