Parte da jornada é o fim

Sempre que começamos fazer alguma coisa, qualquer coisa, ficamos animados e motivados a seguir em frente sem medo do que as pessoas vão dizer ou pensar. Conforme o tempo passa, a motivação diminui e o que faz com que sigamos em frente? A disciplina. O meio do caminho é a etapa pela qual todos passamos e aprendemos como as coisas funcionam, além de ser a jornada na qual mais descobrimos o que queremos e o que somos capazes de fazer. Todavia, tudo acaba em algum momento.

Uma das coisas que eu faço para explicar qualquer coisa para as pessoas é usando comida como exemplo. Quando você cozinha um prato, você está no começo. Enquanto você está servindo o que preparou é o meio e ao terminar de se alimentar o fim chega para o que você fez. Eu não estou tentando menosprezar as coisas ou ser niilista dizendo que nada importa porque niilismo é algo bem babaca. O que quero dizer é que começos, meios e fins são partes de qualquer processo.

Qualquer coisa que vamos fazer, por mais simples e corriqueira que seja, tem uma mínima etapa de planejamento ainda que tenha se tornado uma rotina. Escovar os dentes, tomar banho, aprender a tocar um instrumento ou mesmo encher uma garrafa com água. Pode parecer bobagem, mas essas coisas são comuns e todas têm um início e um encerramento. Essa máxima de processos é cíclica com tudo o que há no mundo. Calma, eu vou chegar onde eu quero.

Eu não tenho o hábito de usar relacionamentos como exemplo, mas ainda que durem uma vida toda, eles sempre acabam quando uma das pessoas der seu último suspiro. No entanto, é possível que terminem antes do esperado por causa de diversos fatores como valores opostos, desgastes, brigas contantes, desrespeito ou qualquer outro motivo que seja nocivo aqueles que estão engajados em um relacionamento de qualquer tipo. É algo cíclico e isso leva ao ponto de que o fim não precisa ser algo ruim.

É normal que quando um relacionamento termina as pessoas procurem coisas novas ou façam coisas que se sentiam privadas de fazer enquanto estavam comprometidas. Algumas pessoas vão para festas, outras ficam reclusas em casa e existem aqueles que vão aproveitar o tempo extra para estudar ou fazer algo que estando comprometido seria complicado. De uma forma ou de outra, o fim de uma coisa não é o fim do mundo porque novas oportunidades surgem.

Assim como todo começo tem um fim, todo final pode ser um recomeço se ainda houver algo que você tenha vontade de fazer. Isso é uma das pequenas coisas que tornam a vida tão bela e boa de se viver. Sempre vai existir alguma coisa que você não fez, um lugar que você não viu ou uma experiência pela qual ainda não passou. A vida nos permite explorar o mundo da maneira que acharmos que devemos fazer e isso é algo que pode te inspirar a começar aquilo que você considera totalmente impossível.

Nossa história como humanidade mostra que somos seres com alta capacidade de adaptação a qualquer situação que nos é imposta. Ainda que a sua vida não esteja nos livros de história ou que não haja uma biografia sobre você, há muito que você pode fazer para se inspirar e realizar. O ciclo das coisas é quase que imutável. A vida, as fases da lua, a altura das marés, os estados da matéria. Cada coisa do universo tem um começo, um meio e um fim.

Trazendo essa questão de encerramentos de coisas da vida, eu acho que muitas vezes é necessário sabermos quando algo precisa de um ponto final. Ainda que queiramos manter as coisas como eram, a partir do momento em que elas passam, cada uma deixa de ser o que foi. Complicado? Talvez isso ajude: quando você termina uma frase, ela já ficou no passado assim como a ideia e o contexto no qual foi expressada. É óbvio que o que você fez define muito de quem você é e que as suas ações, certas ou erradas, podem ser usadas contra você ou a seu favor o que te obriga a resolver assuntos inacabados.

Deixar as coisas mal resolvidas não é agradável para ninguém. Isso é uma coisa interessante quando se é uma pessoa preguiçosa e que não se importa com o que quem está ao seu redor sente. É algo que o mundo acaba nos obrigando a fazer em alguns casos, mas se for uma constante, certamente você precisa rever seus conceitos, valores ou qualquer coisa que te faça se sentir humano. Deixar as coisas resolvidas é simples, vai te fazer bem e disso eu não tenho dúvidas.

Considerando que você ainda tenha algum questionamento sobre o fim das coisas e jornadas, acho que as próximas palavras vão acabar te dando uma nova perspectiva sobre como processos, ciclos e fases podem ser benéficos: quando se assiste uma apresentação musical, cada música tem um tempo, um ritmo, uma letra e uma melodia única, mas a essência do intérprete está em cada uma delas porque aquilo que ele acredita está em cada nota executada na canção. Isso certamente leva ao ponto que eu realmente quero chegar.

Quando começamos algo novo após o término de algum ciclo em nossas vidas, tudo ao redor começa a se renovar aos poucos. As pessoas com as quais você convive mudam, sua forma de pensar muda mesmo que seja um pouco. Em contrapartida, algo vai permanecer imutável em qualquer momento de sua vida porque isso pode escalar ou ser reprimida de acordo com o que você fizer: sua verdadeira natureza.

No começo de uma jornada nós sabemos quem somos e como é nossa realidade. Quando surge algo que nos tira de casa, precisamos seguir um caminho que nos obriga a aprender e questionar nossos próprios valores e crenças. Por fim, ao chegarmos onde queremos um encerramento se faz necessário e nos resta fazer uma escolha: vamos manter a nova realidade ou começar outra grande aventura?

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