Protocolo Fogo no Parquinho

– Dimitri! Me diz que você já tem um plano…

– Escuta aqui, engomadinho! Se eu tenho um plano ou não, não é para você que eu vou falar! Acha que só porque você tem dinheiro, pessoas trabalhando para você e um corte de cabelo de mais de trezentos reais eu devo fazer o que você quiser? Eu não sou seu empregado, Ventrue maldito!

Hélio e Dimitri nunca tiveram uma boa relação, mas precisavam trabalhar juntos porque Lucca os colocou em uma missão que era de interesse de todos eles: Eliminar seus adversários ao mesmo tempo que colocariam a Inquisição na cola da Camarilla e, por fim, assumiriam o controle da cidade. O homem de terno e o rapaz punk estavam em volta de uma mesa com um mapa de Amaya, um laptop, alguns celulares descartáveis e, jogados perto da parede, dois corpos humanos drenados. Ambos tiveram que se alimentar para aliviar a pressão.

Algum tempo depois, enquanto marcavam alguns pontos de interesse do mapa da cidade, Lucca chegou acompanhado de Cassandra. Ela prontamente percebeu que Hélio estava tentando manter sua compostura enquanto que Dimitri continuava falando em códigos para irritar ainda mais seu colega de trabalho. Cassandra levantou a sobrancelha, olhou para o rosto desfigurado de Lucca e falou.

– Barão, por que não me deixa cuidar disse junto com Dimitri enquanto Hélio e você vão tentar negociar a adesão de Felícia à nossa causa? Aposto que eu consigo me entender melhor com nosso doidinho do que o financiador.

– Acredito que esteja certa, Cassandra. Todavia, quero saber o que eles tem para a nossa causa. Me mantenha informado. Damas na frente…

Lucca e Cassandra se aproximaram dos homens que estavam prestes a se estapear quando perceberam que não estavam sozinhos. Como sempre, Dimitri estava com seu pé de cabra pronto para acertar a cabeça de Hélio que, por sua vez, endureceu sua pele como mármore bruto. Foi então que Lucca se aproximou para acalmar os ânimos.

– Hélio, temos uma negociação para fazer. Felícia está nos esperando no Farol. Deixe que Cassandra e Dimitri resolvam quais serão nossos pontos de ataque. Como Zaki está mantendo seu disfarce falando com Luíza e Sara, precisamos falar com a Brujah.

– É… claro, Lucca! Vamos antes que eu faça algo do qual que não me arrependeria.

Lucca e Hélio deixaram o local, mas não sem que Hélio olhasse para trás e visse Dimitri lhe mostrando o dedo do meio e a língua enquanto soltava seu pé de cabra e voltava sua atenção para Cassandra. Sempre apaixonada por fazer alguém quebrar suas crenças pessoais, ela se segurou para não fazer nada que complicasse ainda mais a situação. Agora, a sós com o Malkaviano, ela foi direta e profissional.

– Dimitri, estes são os refúgios que Zaki conseguiu durante a investigação na casa da Xerife da Camarilla?

– Sim, são sim! Aqui perto do centro é onde estão mantendo a Isabela. Este aqui é a cobertura da Lizzy famosinha e aqueles mais afastados são da Kamili e do Capitão Arthur Dillinger. Nessa área residencial perto da praia fica a antiga casa do Vincent, mas ele e a esposa foram pegos. O paradeiro dele nós não temos, mas sabemos que a outra Tremere está ao norte em uma base da Inquisição.

– Qual é o plano de ataque? – indaga Cassandra com interesse.

– Ah… o Protocolo Fogo no Parquinho começa aqui! Essa casa antiga é da Príncipe Sara. Agora mesmo o plano está em andamento. Zaki e Luíza estão se encaminhando para lá e a casa de Sara está sempre sem nenhuma proteção.

– Não, seu imbecil! Você mandou o Zaki para uma armadilha. – afirma Cassandra logo antes de bater a cabeça de Dimitri contra a mesa. – Por sorte ainda temos a Dalila conosco.

No meio do caminho para o Farol, o telefone de Lucca tocou e ele atendeu. Hélio parecia estar concentrado demais pensando no que dizer durante a negociação para questionar qualquer coisa.

– Felícia, estamos indo ao Farol para te encontrar.

– Mudança de planos, ratinho feioso! Eu estou na casa da Sara e já comecei a minha festinha. Seu doidinho é bastante eficiente e seu espião está dando trabalho para uma francesinha.

Do outro lado do telefone, Lucca ouviu a voz de Luíza gemendo de dor. O plano havia começado assim como anteriormente. Ele sabia o que estava acontecendo e isso esclareceu o porque de Hélio estar tão calado.

– Excelente, Felícia! Estamos a caminho.

– O que houve, Lucca? Parece satisfeito. – ironizou Hélio.

– Você agiu pelas minhas costas novamente, Ventrue. Como pode ser tão audacioso?

– Eu só adiantei o que você estava planejando. – Hélio olha para o motorista e continua. – Gilberto, temos uma mudança de rota. Vamos para os condomínios do distrito Oeste. A negociação já está em andamento.

Chegando na casa de Sara, Hélio e Lucca encontraram Dalila do lado de fora limpando as mãos. Ela os viu, se aproximou muito rápido e foi direto ao ponto.

– O Ravnos não vai ser mais um problema, Felícia e Luiza estão brigando, Helene está protegendo a Sara e meu avô continua escondido da outra Nosferatu que está na casa. Você conhece a Tamara, Barão?

– Tamara… minha irmã de ninhada… é bom saber que continua viva, mas é uma pena que tenha escolhido do lado errado.

Uma janela se quebrou. Um homem com roupas de couro foi arremessado para fora da casa por uma mulher com garras e presas que ordenou.

– Felipe, encontre a Regência. Se tudo der errado, a cidade estará nas mãos deles. Anda logo porque eu tenho uma vadia para matar!

– Puta merda, Luíza! Tenta ficar inteira e talvez isso possa ajudar. A Helene me emprestou.

Felipe jogou uma adaga para Luíza, mas ela não conseguiu pegar porque Felícia interceptou o objeto, cravou a lâmina na perna de Luíza, quebrou o pescoço dela e a trancou em um alçapão perto das escadas. Do lado de fora, Felipe ouviu o som de uma motocicleta se aproximando e se escondeu. Ele viu uma mulher se aproximando vagarosamente.

– Olá, Selene! – sussurrou Felipe.

Não apenas Sara, mas outros membros estavam sendo atacados naquela noite. Foram poucos os que foram encontrados vivos e aqueles que permaneceram firmes foram se refugiar no subsolo casa da sobrinha-neta de Aurélio. Sempre um passo a frente dos demais membros do conselho, o Tremere estava pronto para agir.

– Kamili, sei que não é o que você está acostumada, mas considere este um refúgio temporário. Marco, certamente o principado estará em suas mãos. Eustáquio serviria bem como um Senescal. Gostaria de me manter no conselho pois creio que Selene seria útil no lugar de Alice como a nova Xerife. Todos de acordo?

Estranhamente, todos concordaram com a visão de Aurélio. Kamili e Marco começaram a movimentar a mídia e o mercado financeiro, Eustáquio e todas as suas personalidades confabulavam sobre qual delas deveria aconselhar Marco durante a troca de Príncipes e Aurélio apenas observava tudo enquanto lia um de seus grimórios de taumaturgia. Aquilo não era o suficiente para consolidar um recomeço, mas seria um núcleo da Camarilla que estaria pronto para retaliar.

Dimitri estava calado e sujo de sangue. Cassandra estava empalada com um pedaço da mesa. Pela mente coletiva dos Malkavianos ele sabia que Lucca estava nocauteado porque Alice, sua senhora, tinha eliminado o Nosferatu que foi empalado e, certamente, seria morto. Ele então jogou o corpo de Cassandra no mesmo lugar que estavam os corpos drenados, pegou um galão de gasolina, jogou gasolina em tudo e ascendeu um isqueiro. Enquanto caminhava para fora, ele jogou o isqueiro para trás e incendiou a casa na saída norte da cidade. Dimitri limpou seu pé de cabra e caminhou na escuridão.

Ambas as forças cainitas, Camarilla e Anarquia, estavam debilitadas. Lilian abraçou algumas pessoas e disse para suas crias fazerem o mesmo. Sua Autarquia finalmente estava formada.

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