A bondade é relativa

Desde crianças somos instruídos a seguir regras para que possamos ser pessoas devidamente funcionais dentro da sociedade na qual nascemos. Aprendemos como devemos lidar com pessoas mais velhas, com autoridades, a demonstrar respeito aos animais, proteger aqueles que não podem cuidar de si mesmos, ajudar as pessoas que precisam de ajuda e nunca fazer nada para prejudicar alguém. Eu não nego que essas coisas são válidas, mas eu questiono sempre se todas as regras realmente devem ser seguidas porque, em alguns casos, fazer a coisa certa significa quebrar algumas diretrizes.

Eu nunca gostei de seguir ou obedecer qualquer coisa cegamente porque a vida é um pouco mais do que defender algo que não possa ser questionado ou colocado contra a parede em algum momento. As pessoas que costumam seguir alguma coisa sem pensar no que está lhes sendo ordenado ou que não perguntam aos seus líderes os motivos das decisões por medo geralmente são aquelas que são manipuladas de uma forma tão doentia que acabam se tornando marionetes de um sistema muito maior do que elas. A partir do momento que você não avalia se o que está fazendo é certo apenas por confiar em um sistema, você certamente está com problemas.

Todos os sistemas do mundo são feitos por seres humanos. Nós, humanos, somos criaturas complexas demais e cada um possui pontos fortes e fracos. Estas fraquezas, assim como as vantagens, são replicadas nas coisas que construímos para segurança independentemente se são aplicadas a informações, defesa pessoal, segurança nacional e afins. Os sistemas acabam criando regras que acabam limitando os usos de como o sistema é utilizado e assim mantendo um senso comum entre as pessoas que fazem parte dele. É neste momento que as coisas começam a ser um pouco mais tensas porque, em algum momento, alguém vai entender como o sistema funciona e terá que decidir o que fazer com esse conhecimento.

A pessoa que entender o sistema e quiser crescer dentro dele, seguirá as regras que farão com que ela chegue ao ponto que ela quer sem medo de fazer o que for preciso uma vez que as regras não serão quebradas. Em uma outra realidade, haverá uma pessoa que vai entender o sistema, identificar os pontos fracos para tentar minimizá-los e, com isso, abrir a oportunidade para que outras pessoas sigam seus passos na nova versão de algo que foi aprimorado a fim de melhorar a vida daqueles que compõem as engrenagens da máquina. Por fim, uma pessoa vai abrir os olhos para o que o sistema é, como ele funciona e, a partir disso, vão quebrar o sistema e esta quebra poderá ser interna ou externa.

Uma vez isso contextualizado, acho que vai ficar mais fácil chegar ao ponto que eu quero chegar: sempre existirão grupos de pessoas que vão defender cegamente um sistema que mais prejudica do que ajuda as pessoas ao mesmo tempo que outros núcleos de pessoas vão se organizar para que o sistema seja quebrado por bem ou por mau.

Gosto de exemplos de filmes e séries. A queda do Império em Star Wars, a queda da S.H.I.E.L.D. em Capitão América: Soldado Invernal, a cisão entre os heróis em Guerra Civil. Dizem que a ficção é um paralelo com a realidade e eu confesso que concordo com a afirmativa em alguns casos e este é um deles. Em todos esses eventos, algum efeito nocivo foi causado por meio da descoberta de fatos que comprovavam que o sistema não estava mais funcionando da forma que deveria e isso dividiu as opiniões tanto das pessoas quanto daqueles que eram os responsáveis por fazerem o sistema funcionar como deveria. Na história da humanidade não foi diferente.

Os regimes soviéticos e as nações que defendiam o fascismo durante o século XX foram derrotados não apenas pelos Aliados, mas também pela falha interna de seus sistemas. Olhando assim, tudo parece muito distante da nossa realidade cotidiana, mas todos nós fazemos parte de um sistema e cabe a nós questionar quando devemos seguir e quando devemos quebrar as regras.

A vida é formada por meio das nossas escolhas. Desde o que vamos comer até o que faremos durante nossos dias são escolhas que nos obrigam a renunciar outras opções e fazer certos sacrifícios o tempo todo. Em meio a tantas escolhas, jamais podemos sacrificar nossa liberdade de fazermos aquilo que é melhor para nós ainda que ninguém aceite o que você quer fazer. Algumas convenções, regras, regulamentos e diretivas precisam ser quebradas de vez em quando para que a coisa certa seja feita. Eu aposto o que você quiser que qualquer pessoa faria o possível e o impossível por alguém com o qual a pessoa em questão verdadeiramente se importa. Desde que seja para fazer o bem, eu creio que é preciso lutar pelo que é certo desde que ninguém seja prejudicado.

Se considerar uma pessoa boa é algo que muitas pessoas no mundo fazem. Algumas seguem códigos de conduta pessoais, outras seguem as leis e outras vivem para se aproveitar ou quebrar o sistema no qual estão inseridas direta ou indiretamente. Permanecer neutro em meio ao caos do mundo é uma mera ilusão porque experiências formam opinião, caráter, pensamentos e influenciam falas, ações, atitudes e movimentos desde o início dos tempos. O que consumimos, pensamos, escrevemos e fazemos no dia a dia é o que realmente importa no momento em quem colocamos a cabeça no travesseiro para dormir. Se é orgulho ou culpa o que você sente, é algo que cabe a você avaliar e lidar.

Siga as regras que são justas. Quebre as regras que tiram sua liberdade. Pondere o que deve ou não ser feito com o que você é capaz de fazer. Jamais prejudique alguém e saiba aceitar quando o que estiver fazendo for errado. Soam como regras, mas isso é o mínimo que uma pessoa que sabe respeitar o próximo deve fazer. Um sábio uma vez disse o seguinte: “Bom não é o que você é, mas o que você faz!”

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