Ainda há humanidade no ser humano?

Desde quando eu era pequeno, meus pais me diziam para aprender a dividir as coisas com as pessoas. Independente da quantidade de recursos que houvesse a minha disposição, sempre que alguém precisa de alguma coisa, por menor que seja, desde um lápis de cor até algo para saciar a fome, eu ajudo como posso e quando eu não posso ajudar eu deixo isso claro. Empatia é necessário, em tempos difíceis como os que estamos vivendo.

Eu já me perguntei diversas vezes durante a vida se eu realmente gosto de ajudar as pessoas e a resposta continua sendo sim. Não acredito que as pessoas nasceram para ficar isoladas, sozinhas nem que alguém não tenha potencial para conquistar suas próprias coisas independentemente do que almeje. Muitas pessoas só precisam de um incentivo, algumas de uma orientação para chegar onde querem e outras, o que parece ser a maioria dos casos, precisam ser o seu próprio motivador e maior fã. Acho que é neste momento que nasce a verdadeira disciplina.

Quando começamos a construir alguma coisa, seja uma história, uma carreira, um negócio ou qualquer outra coisa que desejamos fazer nesta vida, somos motivados pelo desejo da conquista e pela euforia de dar um passo a diante sem medo do que as pessoas vão dizer ou pensar pelo fato de ser algo que queremos fazer acima de tudo. No entanto, a sensação da motivação passa com o tempo e a euforia some. O que precisamos fazer quando isso tudo desaparece é manter o foco no objetivo que tanto queremos alcançar. Acho que é neste momento que muitas pessoas falham pela ganância e pela soberba e me leva a questionar outra coisa: ainda há humanidade no ser humano?

Alguns costumam dizer que o dinheiro corrompe as pessoas. Outras pessoas dizem que os recursos monetários apenas exponenciam os traços de personalidade de alguém. Em partes eu concordo com isso porque um dos professores que eu tive me disse pessoalmente, em particular, uma vez que “quem é bom, será bom em qualquer lugar fazendo qualquer coisa”. Ser uma pessoa boa, disciplinada, focada e assertiva com o que quer costuma ser a receita para ser uma pessoa satisfeita com as próprias conquistas, mas no final não adianta conquistar o mundo todo se no fim do dia não há com quem compartilhar suas conquistas.

Imagine que você tem todos os recursos do mundo e isso te dá acesso a qualquer coisa que o dinheiro possa comprar, mas ao chegar em casa não há ninguém com quem você possa compartilhar suas conquistas e não vai adiantar nada ter tudo e não ter ninguém com quem possa realmente contar. Quantas pessoas que não possuem muitos recursos e são felizes? E quantas pessoas nascem em berço de ouro e não sabem o que fazer com a vida? Se tratando de seres humanos, sentimentos e qualquer outra coisa relacionada a nós, há muitas variáveis e nunca é possível generalizar. Tais fatos têm sido refletidos em personagens de jogos nos últimos tempos também.

Desde que eu comecei a narrar RPG eu tenho em mente que não há heróis e vilões em uma história porque ambos os lados estão buscando objetivos que, em algum nível, entram em conflito e não há um lado que seja bom ou mal. Os meios utilizados pelas partes envolvidas é o que realmente define o que é certo ou errado. Um dos filmes que mais representam este ponto de vista de meios para um fim é Pantera Negra (2018), no qual o vilão tem uma boa motivação, mas os meios utilizados são mais prejudiciais do que benéficos para todos.

Ainda sobre lados opostos em busca de seus objetivos, podemos exemplificar com o clássico jogo de xadrez nos quais forças opostas buscam eliminar o Rei de seu adversário. As nuances do jogo, os movimentos das peças, saber onde, como e quando posicionar uma determinada peça em algum lugar para conquistar a vitória. Cada escolha tem uma consequência e obriga o indivíduo a fazer uma renúncia automaticamente. Claro que em alguns casos as pessoas fazem coisas com o intuito de prejudicar alguém agindo de má-fé, quebrando acordos, mentindo para evitar uma punição ou apenas por compulsão, o que também é comum.

Eu não tenho o hábito de acreditar em qualquer coisa que as pessoas dizem e costumo observar mais o que elas fazem porque palavras sem atitudes são vazias. É estranho ver pessoas falando em público que ajudam instituições apenas para se promover sabendo que existem pessoas que ajudam apenas porque realmente querem ajudar. Ambos os grupos ajudam, mas os meios utilizados para ajudar importam muito mais do que a ajuda em si. O que quero dizer é que ainda há pessoas boas fazendo o bem e essas pessoas, geralmente, não aparecem diante do público para mostrar o que estão fazendo.

Ser humano é uma tarefa que vem se tornando cada vez mais difícil a cada dia. As pessoas estão ficando mais frias, o mundo está em uma fase de transição constante, todo mundo procura um espaço no mundo para se destacar e nem sempre se adaptar a uma nova realidade é uma tarefa simples. Mesmo assim, é importante fazer o que é certo não porque exigem que você faça, mas porque você quer fazer de livre e espontânea vontade. Ajudar pessoas é algo que deveria ser tão natural quanto respirar porque vivemos em sociedade. Nem tudo precisa ser uma competição.

Provavelmente eu seja tolo por acreditar que ser uma pessoa boa é o necessário e que fazer o certo deve ser feito de bom grado, não por obrigação. Ainda há esperança de dias melhores no futuro, eu não tenho quaisquer dúvidas quanto a isso e, o que mais importa para mim é saber que ainda que existam muitos atos desumanos no nosso planetinha azul, também há pessoas que demonstram carinho, afeto, que realizam atos de caridade porque querem deixar algo bom no mundo e que isso, acima de tudo, mostra que ainda existe muita humanidade dentro de cada ser humano.

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