Como humanizar personagens heroicos

Todo mundo tem seus heróis. Sejam eles pessoas reais ou personagens fictícios, cada pessoa no mundo admira alguém por motivos diversos. Muitas vezes é pela história de vida da pessoa, pela forma que a pessoa lida com os problemas da vida ou pelo simples fato da pessoa ser alguém com quem vale a pena passar algumas horas conversando. Ainda assim, existem seres que são tão poderosos que aparentam ser inalcançáveis como se fossem deuses caminhando entre meros mortais. Alguns podem até inspirar, mas não geram identificação.

Trazendo isso para a realidade do RPG de mesa, eu acredito que seja importante humanizar personagens. Seja o personagem um aventureiro medieval, um investigador de casos sobrenaturais ou um vampiro que se alimenta por necessidade, sempre haverá algo que motiva o personagem a lutar pelo que acredita. Pensando nisso, eu pensei em coisas que humanizam personagens heroicos. Então, sem mais delongas, vamos nessa que vai ser bom à beça!

Alguém por quem vale a pena lutar

Mesmo que pareça distante da realidade, alguns personagens da cultura pop se preocupam com pessoas com as quais eles convivem e, muitas vezes, colocam a própria vida em risco para salvar seus entes queridos. Peter Parker, nosso eterno Homem-Aranha, além de ser o Amigão da Vizinhança, é um jovem que faria de tudo para manter sua Tia May segura assim com as verdadeiras Kryptonitas de Superman são Loise Lane e Martha Kent.

Ao criar uma história de origem, você pode incluir uma pessoa ou um grupo de pessoas pelo qual seu personagem daria sua própria vida. A pessoa amada que o espera em casa, financiar um orfanato para órfãos de guerra, proteger estudantes da academia arcana ou cuidar de seu animal de estimação como se fosse um filho.

Conhecimento nunca é demais

Caso seu personagem seja mais intelectual, a busca por conhecimento seria uma de suas principais motivações. Desvendar mistérios, pesquisar conhecimentos ancestrais, buscar formas de resolver problemas por meio da ciência ou da magia, investigar algum crime ou traçar estratégias para dar fim a uma guerra. Personagens como Doutor Estranho e Sherlock se encaixam neste perfil por estarem atentos aos detalhes e utilizarem da lógica para tomar suas decisões.

Arquétipos clássicos como um aprendiz de mago, um recruta de um departamento de investigação, um ladino que seja rato de biblioteca ou mesmo uma barda a procura de boatos sobre o paradeiro de um nobre podem ser interessantes para personagens inteligentes porque há certas informações que dinheiro algum no mundo seja capaz de pagar.

Justiça vs. Vingança

Alguém ou alguma coisa foi tirada do personagem e agora ele está no encalço daqueles que causaram dor a ele. Esse arquétipo costuma ser o padrão para que um personagem tenha um senso de justiça ou uma sede de vingança. No entanto, há outras maneiras de retratar isso utilizando de perspectivas diferentes. Um personagem que sofre uma perda pode lutar para que a injustiça que ocorreu com ele não aconteça com outras pessoas como é o caso do protagonista de Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba).

Muitas vezes a questão de justiça e vingança é algo que varia de acordo com a cultura do cenário no qual o personagem está inserido, no entanto, saber como explorar as consequências disso pode tornar a jornada algo muito mais interessante do que apenas matar por matar. Um vingador ou justiceiro, se assim preferir chamar, pode ficar cego, cometer mais erros e precisará pagar pelos seus atos de alguma forma.

Busca por redenção

Criminosos de guerra, lobos solitários, espiões renegados, militares dispensados por desonra, nobres destituídos por corrupção. O mundo pode ser cruel com aqueles que buscam uma segunda chance de viver em sociedade e os demônios do passado podem assombrá-los ainda que muitas pessoas já tenham perdoado seus crimes.

Personagens que carregam um fardo de culpa ou foram, de alguma forma, excluídos pela sociedade costumam tornar-se justiceiros, vigilantes e chefes de guildas no submundo além de poderem se tornar mercenários. No entanto, se algo realmente os motivar a entrar em uma luta que considerem justa e uma oportunidade de se redimir, estes homens e mulheres poderão criar algo maior do que eles mesmos ao ponto se tornarem-se mártires deixando um legado a ser seguido.

Revolução

Regimes ascendem e decaem todos de tempos em tempos. A história da humanidade é a prova real disso como foi com os Romanos, os Turcos, os Persas e diversos outros povos que são conhecidos, segundo registros, como conquistadores e colonizadores que utilizavam seus recursos para dominar terras por meio da força e mantê-las utilizando da política e da diplomacia.

Algumas nações caem por causa de golpes, outras perecem porque os governantes são retirados de suas posições de poder por meios democráticos, mas em casos extremos, revoluções armadas são necessárias e acabem sendo encabeçadas por aqueles que mais sofrem com as decisões dos poderosos.

Os personagens que assumem o manto de revolucionários costumam ser carismáticos e devotos às suas causas. A liderança deles é admirada por muitos e sua perícia em combate é temida por todos. Geralmente, esses personagens possuem origens trágicas e motivações fortes que os levam a defender sua revolução porque, em muitos casos, é tudo o que lhes resta. Sendo assim, uma vez que exista algo pelo qual lutar e pessoas ao seu lado, os revolucionários lutarão até o último suspiro.

Deixar seus personagens humanizados faz com que as pessoas criem empatia com eles em algum nível. Uma vez que seu personagem cause uma reação nos seus jogadores, seja ela qual for, você cumpriu seu papel como narrador porque se a presença do personagem causou alguma emoção. O mesmo vale para jogadores que podem surpreender seus narradores demonstrando características únicas da personalidade de seu personagem por meio da interpretação durante a sessão de jogo.

É importante fazer com que personagens de grande poder possuam um lado humanizado para que possamos acreditar que eles possam ser reais e que são pessoas como nós. Eles lutam pelo que acreditam e vivem cada um de seus dias em busca daquilo que os move. Traçar objetivos, por mais pequenos que eles sejam pode ser o começo de uma jornada incrível tanto na ficção quanto na vida real.

Acredito que criar personagens humanizados é uma via de mão dupla porque você está criando empatia com outras pessoas ao mesmo tempo que se torna mais empático em relação a si mesmo. Dê motivações, objetivos e ideias pelos quais o seu personagem lutará porque, assim como tudo que há em ti, ele também é uma parte de você.

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