O Manto Lunar

Em todas as capitais de Aylin existem aventureiros com objetivos diferentes. Alguns grupos lutam em busca de bons saques na eterna batalha entre corsários e piratas. Outros exploram cavernas, covis, masmorras e catacumbas a fim de encontrar tesouros e desvendar os mistérios da fundação do mundo. Aqueles de mente mais aguçada investigam ruínas antigas com escrituras mágicas em busca de conhecimentos ancestrais. No entanto, todos esses aventureiros, cujos objetivos são distintos, tem um começo que, geralmente, é em uma taverna.

Luária, a capital do Reino Argênteo localizada nas Terras Crescentes de Aylin, é a cidade mais antiga dos povos humanos. A primeira sociedade humana que se aliou para combater monstros e aberrações séculos atrás se reuniu em torno do Forte de Luna, a Arcana da Ilusão. Nessa região do forte, as primeiras casas foram construídas pelas famílias de guerreiros nobres e lá foi construída a taverna mais rica e movimentada até os dias atuais: A Taverna do Manto Lunar.

Grupos de aventureiros de todas as partes das Terras Crescentes já visitaram pelo menos uma vez a taverna na qual contratos de missões são fechados tanto pela nobreza quanto pelas lideranças das guildas. Bardos versados nas mais diversas artes buscam por espaços no Manto Lunar para serem reconhecidos pelos vassalos da coroa para talvez, com um pouco de sorte e de influência, eles possam se apresentar à corte. O que poucos sabem é o que tornou esta taverna tão conhecida entre aventureiros de todas as partes. Toda fama tem uma origem.

Alguns arquimagos da Cidadela, uma capital élfica subterrânea cuja localização é desconhecida para boa parte da população da superfície, foram enviados para auxiliar os humanos com poder arcano para eliminar as resistências mágicas de algumas criaturas além de criar algumas distrações para que os guerreiros de Luária conseguissem derrotar seus inimigos com mais facilidade. Por conta da ganância e da curiosidade sobre o conhecimento élfico da manipulação da Essência, um dos tenentes do exército humano enviou batedores até o posto avançado da Cidadela.

O grupo composto por quatro membros com habilidades distintas viajou por três dias até chegar ao local no qual a missão de infiltração teria início. O objetivo do grupo era bastante simples: coletar qualquer informação útil sobre iniciação à manipulação da Essência. Definido o objetivo, cada membro do grupo assumiu uma função que, se executada levianamente, colocaria toda a operação em risco. Em um ponto de encontro próximo do ponto de invasão, o grupo revisou o plano.

– Certo, Tomas, você será o último a se movimentar. Como o mais atento, precisamos que identifique as brechas das linhas inimigas para nos movimentarmos em segurança e sua mira será útil para nos dar cobertura. Louise, precisamos que você crie as distrações e elimine qualquer ameaça que comprometer o avanço furtivo de Eli. Eu, Lupo, vou me encaminhar para o centro de comando deste posto avançado para desarmar qualquer armadilha. Dúvidas?

– Não, Capitão! – reponderam em uníssono.

Com os detalhes acertados e as funções definidas, a infiltração foi iniciada.

Tomas escalou uma árvore que lhe dava visão plena do centro de operações. Não havia muitos guardas élficos patrulhando o local. Ele viu a movimentação de Louise e Eli para o portão principal. Louise fez barulho em alguns arbustos chamando a atenção de um dos guardas enquanto outro soldado, que se distraiu com a movimentação, foi eliminado por Eli. Ao olhar para uma das torres de vigia, Tomas notou a movimentação de um arqueiro que se aproximava de uma posição que lhe daria visão da posição de seus dois aliados, mas Lupo abordou o inimigo e o nocauteou. Até o momento, ninguém havia vacilado.

Lupo sinalizou para Eli e Louise ordenando que continuassem avançando. Enquanto caminhavam pelo local, Lupo pulou nas costas de seus parceiros ao ouvir o ar sendo cortado. Uma flecha passou bem perto do grupo acertando o peito de um soldado desatento. Louise reconheceu como uma das flechas de Tomas que continuou observando atento o grupo que estava quase chegando na cabine de comando sem resistência alguma. Lupo sinalizou para que seus companheiros lhe dessem cobertura.

– Vou verificar as armadilhas. Fiquem atentos a qualquer ruído.

– Que estranho, Capitão! Isso aqui está fácil demais. – disse Eli.

– Eli, não baixe a sua guarda. – retrucou Louise.

Enquanto Lupo procurava armadilhas, Louise viu um vulto caindo da árvore na qual Tomas deveria estar posicionado. Eli caiu adormecido ao seu lado e Lupo estava estranhamente imobilizado porque nada havia encostando nele. Ao piscar os olhos, ela viu um pequeno grupo de elfos furiosos aparecendo como se estivessem atravessando um véu. Um deles segurava alguns livros grossos e pergaminhos.

– Todos vocês estão atacando seus aliados. Meus colegas estão mortos por causa de suas lâminas! Devo eu ter misericórdia desta traição, humana?

Louise baixou sua guarda e deu alguns passos a frente. Os elfos permaneceram estáticos. Com um tom de ameaça, ela falou friamente.

– Isso é o que acontece quando não somos ouvidos. Agora que tenho a atenção de vocês, quero me ensinem a manipular esse manto que vocês usam. Há negócios sigilosos na taverna de meu irmão que ninguém precisa saber. Em troca, eu lhes ensinarei a brandir lâminas e vocês não precisarão mais se esconder de outros povos quebrarem suas defesas como nós acabamos de fazer.

Impressionados com a audácia da humana, os elfos se entreolharam enquanto Louise aguardava uma resposta. Ela ouviu passos e ao olhar, viu seus colegas sendo carregados para uma cela.

– Nós temos um acordo, humana. No entanto, eles servirão nossos propósitos de estudos. Não há necessidade de jogos de manto e adaga. Pegue estes pergaminhos e não quebre nossos termos.

Louise assentiu com pesar e deixou seus companheiros para trás. Ao chegar em Luária com os pergaminhos, ela foi até a taverna, pediu um hidromel e falou com seu irmão.

– Luca, eu consegui os encantamentos… Podemos dar início aos trabalhos.

– Está certa disso?

– Você será meu manto, irmão. Eu serei sua adaga.

Eles brindaram a conquista e assim a primeira guilda de Luária foi finalmente inaugurada.

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